terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Gilberto Gil - A paz

Pra quem gosta de relaxar ouvindo música, Gilberto Gil é sempre uma boa pedida. Suas letras simples, mas bem trabalhadas, e suas melodias bacanas fizeram e fazem da carreira de mais de 40 anos um grande sucesso.
Eu tava aqui ouvindo umas músicas dele, aí resolvi postar. Só que de tanto relaxar, esqueci o que ia escrever, hehe. Então ouve aí.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Oscar - Grandes premiados (5): Melhor Filme

O Oscar já é amanhã e essa aqui é a ultima postagem dessa humilde série que buscou justamente relembrar alguns grandes vencedores do prêmio e também muitos dos meus filmes preferidos e que gostaria de compartilhar um pouco aqui no blog. Pra finalizar, fechando com chave de ouro, vem aí alguns vencedores da principal categoria, a mais esperada e a mais comentada em todos os anos, melhor filme.

1. ...E o vento levou (Gone with the Wind), 1939
Um dos filmes mais conhecidos da história do cinema mundial, ...E o vento levou trouxe para as telonas uma grande revolução técnica ao apresentar pela primeira vez um filme em cores direcionado a adultos (O mágico de Oz é do mesmo ano, porém, infantil). Fora o uso de cores, o filme também se utiliza de vários efeitos especiais, e grande qualidade visual e sonora durante todo o filme. Paralelamente ao lado técnico que dispensa correções, o filme tem uma carga dramática intensa liderada por uma heroína cheia de faces, Scarlett O’hara, uma das personagens mais queridas do cinema. Além de Vivien Leigh (que faz Scarlett) o filme conta com a presença de outros grandes nomes do cinema como Clark Cable e Olivia de Havilland (que ainda está viva!). 

2. Rebecca, 1940
Alfred Hitchcock, um dos diretores de cinema mais influentes da história, fez vários e vários filmes nos EUA, mas apenas o seu primeiro filme em território americano conseguiu o feito de ser o ganhador do Oscar de melhor filme, apesar de não ser o melhor da filmografia do diretor. Rebecca é uma história meio gótica sobre uma mulher falecida, Rebecca, e de como ela parece pairar sobre o ambiente e sobre todos a sua volta, principalmente a nova esposa de seu ex marido, uma confusa e assustada Joan Fontaine (não gosto dela, mas tudo bem). Filme interessante e surpreendente, como um bom Hitchcock deve ser. 

3. Farrapo humano (The lost weekend), 1945
Explorando as desgraças dos alcóolatras, Farrapo humano é o primeiro filme a mostrar da forma mais cruel possível permitida na época o verdadeiro drama e conflito internos pelos quais passa uma pessoa viciada. O protagonista, interepretado por Ray Milland, é levado ao fundo do poço durante o filme e vemos seu total desespero e seu grande esforço buscando recuperação. Tem até umas alucinações no meio, pra deixar a coisa mais tensa. Grande filme. obs: o único defeito é esse nome horrível que deram na tradução brasileira...puts. 


4. Se meu apartamento falasse (The apartment), 1960
Esse é um exemplo clássico de filme completo! Abrange vários gêneros dentro de um mesmo filme e acerta em cheio em todos eles! É ao mesmo tempo uma excelente comédia de costumes, cheia de críticas, também é uma ótima comédia romântica e ainda tem momentos de drama na medida certa, tudo isso combinado perfeitamente numa das minhas comédias preferidas. Liderado por Shriley MacLaine e Jack Lemmon em grande sintonia. Obs: o único defeito é esse nome horrível que deram na tradução brasileira...puts (2). 

5. Perdidos na noite (Midnight cowboy), 1969
No começo de uma nova era do cinema, Perdidos na noite aparece com uma trama agressiva, crua e cheia de sexo e drogas numa época em que o cinema ainda estava muito habituado a ver coisas como A noviça rebelde. É um filme da chamada “Nova Hollywood”, que revolucionou o cinema entre o fim dos anos 60 e a década de 70. A vitória de Perdidos na noite representou uma maior participação de vertentes mais modernas e de jovens diretores ambiciosos por mudanças no jeito de fazer filmes e de mostrá-los às pessoas. Muito do que vemos nos cinemas hoje é reflexo dessa geração e um dos melhores filmes desta é, com certeza, Perdidos na noite. 

6. O poderoso chefão, parte II (The godfather, part II), 1974
Dizer que toda continuação é pior que o primeiro filme é um erro gigante. Afinal, ao dizer isso se está entrando em contradição com a trilogia mais interessante do cinema: O poderoso chefão. A parte II não só segue os passo da parte I como em muitos momentos o supera. Eu, sinceramente, gostei mais desse do que do primeiro. Tudo bem que Marlon Brando como Don Corleone é ótimo, mas na parte II nós acompanhamos como o jovem Vito (Robert DeNiro) tornou-se o chefe da máfia ítalo-americana e também acompanhamos a trajetória de Michael Corleone (Al Pacino) como o novo chefão da área. Outra coisa, pra um filme vencer Chinatown no Oscar em praticamente tudo...ele em que ser no mínimo excepcional! Deve ter sido uma das disputas mais interessantes do Oscar de melhor filme, pois ambos estão entre os melhores indicados da história da premiação. 

7. Rocky – um lutador (Rocky), 1976
Confesso que fui ver Rocky cheio de preconceitos. Bem, é de se ficar com um pé atrás já que é um filme de Sylvester Stallone! Mas acontece que esse filme é uma grande lição de vida, de luta, de superação dos próprios limites e principalmente de redenção. O boxe é assunto paralelo aqui. O que realmente vale é a grande volta que o lutador dá em sua própria vida, saindo do fundo do poço e se reerguendo graças a si mesmo e as grandes pessoas que estão ao seu redor. Curti demais, pena que os outos “Rockys” não cheguem aos pés do primeiro. 

8. Annie Hall, 1977
Comédia de costumes e ao mesmo tempo comédia romântica, aqui está um dos filmes que melhor retrataram sua época: a Nova York dos anos 70. Através de Alvy Singer, Woody Allen nos fala sobre religião, amizade, cinema, sexo e, principalmente, amor. O quão estranhos, confusos e divertidos são os relacionamentos amorosos e como somos vulneráveis a eles. Sintonia perfeita com sua musa, Diane Keaton, que interpreta o papel título do filme, os dois compõem um dos casais mais estranhos e ao mesmo tempo mais carismáticos do cinema. Além disso tudo, o filme trouxe um novo ar ao gênero das comédias românticas, que, aliás, vem de mau a pior. 

9. Kramer vs. Kramer, 1979
Dando um basta na quase crueldade da maioria dos filmes da época, Kramer vs. Kramer aparece como um filme muito sensível que foca justamente em crises familiares. Esse caminho mais introspectivo vai ser marcante em vários filmes dos anos 80. Aqui vemos uma crise familiar diferente, onde a mãe, em meio a uma crise depressiva, abandona o filho com seu marido. Temos então, uma inversão de papéis, onde é a vez do pai assumir também os papéis da mãe e passar a ser responsável pela educação e pelos cuidados do filho pequeno, que pouco entende da conturbada relação em que se meteu estando no meio de duas pessoas que simplesmente não se entendem mais. Show de atuações, apesar de ser um filme pequeno (em teoria) derrubou dois gigantes no Oscar de 1980, Apocalypse now de Coppola e All that jazz de Bob Fosse. 

10. Gente como a gente (Ordinary people), 1980
Muitos fãs de Scorsese são revoltados pela derrota de Touro indomável para esse discreto e delicado Gente como a gente mas isso não torna esse filme ruim. Muito pelo contrário, é excelente. Um drama família tenso, complicadíssimo, envolvendo luto, culpa e falta de cumplicidade familiar. Se Kramer vs. Kramer deu uma introdução aos dramas familiares que viriam, Gente como a gente os aprofundou de vez e tornou-se um sucesso imediato pela sua forma triste e sutil de mostrar um drama tão forte. Tudo bem que eu também acho que o prêmio teria ficado melhor nas mãos de Touro indomável, mas nem por isso vou desconsiderar os grandes méritos de Gente como a gente que o deixam no mesmo nível dos grandes vencedores do prêmio. 

11. Amadeus, 1984
Uma das melhores cinebiografias que já vi, Amadeus acompanha a relação conturbada entre dois grandes músicos da corte de Viena: o atualmente considerado gênio, Mozart e o atualmente completo desconhecido, Salieri. Quem nos mostra a história é Salieri (F. Murray Abraham) e vemos tudo do seu ponto de vista e de como foi construída essa relação entre os dois músicos com base em sentimentos de inveja e de admiração, nem sempre na mesma medida.

12. A lista de Schindler (Schindler’s list), 1993
Único filme de Spielberg a vencer na categoria de melhor filme (não vamos nos esquecer da derrota quase sem sentido de O resgate do soldado Ryan para Shakespeare apaixonado) A lista de Schindler acompanha a história real de um homem que conseguiu salvar milhares de judeus em meio ao holocausto nazista. O longo filme (tem bem umas 3hrs de duração, eu acho) é triste e ao mesmo tempo muito bonito, principalmente pelo visual que Spielberg conseguiu dar e pela bela história de solidariedade e respeito com o próximo. 

13. Titanic, 1997
A fórmula do sucesso nas mãos de James Cameron: junte muito drama novelesco com amores impossíveis que desafiam a tudo e a todos com um show de efeitos especiais, muitas mortes, caos e destruição e você ganhará rios e rios de dinheiro. Titanic é o maior vencedor do Oscar (empatado com Bem-Hur) com o singelo número de 11 estatuetas, e não é por menos. A qualidade técnica do filme é impecável, o que lhe permitiu varrer as categorias técnicas no Oscar de 1998. Quanto à história em si, não é das melhores. O romance do casal protagonista não é nem um pouco original, porém, é extremamente funcional (e rentável – estamos falando de James Cameron). Elevou automaticamente os atores Leonardo DiCaprio e Kate Winslet à posição de grandes astros do cinema e é o filme preferido de toda uma geração. Obs: será relançado esse ano em 3D, ainda estou pensando se vale ou não a pena revê-lo dessa forma... 

14. Beleza americana (American beauty), 1999
Passando na cara de todo mundo a grande hipocrisia em que vive o povo americano, que faz questão de vender uma imagem de “sou mais feliz do que você!” enquanto por dentro são detonados, confusos, insatisfeitos e cheios de segredos sórdidos. A missão de Beleza Americana é justamente essa, mostrar pra quem quiser ver que as aparências realmente enganam, que as pessoas não são como elas se mostram ao mundo, como é triste precisar fazer isso e o preço que pagamos ao tentar romper com esse paradigma. 

15. Onde os fracos não tem vez (No country for old men), 2007
Único filme dos Coen a ganhar na categoria, Onde os fracos não tem vez nos mostra uma grande perseguição, motivada por uma bolada em dinheiro, cheia de ação, violência e humor estilo Coen. Originalidade é a marca dos irmãos, e aqui ela não falta. Quando resolvem juntar com o clima tenso que se constrói durante todo o filme, ficou difícil para Desejo e reparação e, principalmente, Sangue negro, o baterem no Oscar de 2008. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Oscar - Grandes premiados (4): Melhor Ator

Depois de uma breve pausa na série de postagens, aqui estou eu para falar de alguns dos vencedores da categoria de melhor ator, uma das mais comentadas da cerimônia.

1. Ray Milland: Farrapo humano (The lost weekend), 1945
Todos já viram vários e vários bêbados no cinema, mas o verdadeiro drama do viciados em álcool foi mostrado pela primeira vez nesse filme de 1945. A personagem de Ray Milland sofre, e muito, durante todo o filme para tentar se recuperar do vício. É um filme tenso e muito forte, chocante até. O ator carrega o filme praticamente todo sozinho e faz muito bem seu papel. 

2. Marlon Brando: Sindicato de ladrões (On the waterfront), 1954
Criminosos e violentos, uma gangue manda e desmanda num porto duma região pobre da cidade. Eles controlam tudo na região com mãos de ferro e parecem intocáveis, como se fosse impossível atingi-los ou lutar de alguma forma contra seu poder. Impossível até que o jovem Terry Malloy (Marlon Brando), que fazia parte do grupo, decide fazer justiça e ajudar a batalhadora Edie (Eva Marie Saint) que acaba de perder seu irmão. O papel de Marlon Brando aqui é um de seus melhores, junto com outros grandes filmes como Uma rua chamada pecado, O poderoso chefão e Último tango em Paris

3. Marlon Brando: O poderoso chefão (The Godfather), 1972
Mais clássico que Don Corleone, impossível. O chefão da máfia se tornou uma das personagens mais famosas, mais citadas e mais admiradas da história do cinema mundial. Tudo isso graças a interpretação do ator. Ninguém faria, faz ou fará um Don Corleone melhor que Marlon Brando, isso é impossível! Afinidade total entre ator e personagem, atuação forte e inesquecível. Filme obrigatório para cinéfilos. 

4. Jack Nicholson: Um estranho no ninho (One flew over the cuckoo’s nest), 1975
Carismático, engraçado, corajoso e, principalmente, com um espírito de liberdade incrível. Esse é McMurphy, um bandido de quinta categoria muito metido a esperto que decide alegar insanidade para sair da prisão e ir parar num sanatório. Mal sabia ele que lá todos também são prisioneiros. Sua alma anti-repressão acaba então por transformá-lo numa espécie de líder do lugar, e ele passa então  a tentar trazer um pouco de vida a todos aqueles homens subjugados que vivem no local. Primeiro Oscar de Jack Nicholson, é também seu melhor trabalho

5. Peter Finch: Rede de intrigas (Network), 1977
Uma vítima do jogo de manipulação feito pela mídia, após simplesmente surtar ao vivo para toda rede nacional, ele ganha um programa sensacionalista, cuja função é justamente permitir que as pessoas o vejam surtando e falando todos os tipos de verdade em cadeia nacional exclusivamente porque isso dá audiência. Rede de intrigas é um dos meus filmes preferidos, e não seria muita coisa se não fosse a presença de Peter Finch. O revoltado Howard Beale e seus acessos de fúria em cadeia nacional são impressionantes e decisivos para todo o filme. também não é correto dizer que o ator carregue o filme sozinho, afinal, Faye Dunaway traz uma interpretação a altura com sua Diana. 

6. Dustin Hoffman: Kramer VS. Kramer, 1979
Homem largado pela mulher tem que passas pela difícil missão de cuidar de seu filho sozinho, tendo de conciliar, de uma hora para outra, os cuidados com o filhos, com a casa e também seu exigente trabalho. Não é das tramas mias convencionais, mas o fato é que Kramer VS. Kramer é um filme excepcional, e Dustin Hoffman afirma aqui, mais uma vez, sua posição entre os melhores atores de sua geração. 

7. Robert DeNiro: Touro indomável (Raging Bull), 1980
Jake LaMotta. Lutador de boxe, violento, ignorante, incompreensível e muito perturbado. Touro indomável acompanha a trajetória do lutador (que realmente existiu) do início de sua carreira até seu fim, como um velho, gordo e decadente. Não é um filme qualquer. É o melhor filme que explora um esporte, mesmo que esse seja, de certa forma, secundário à trama. DeNiro mostra uma espécie de anti-Rocky, um homem totalmente insensível que não aprende absolutamente nada com seus erros e que não sabe se expressar de outra forma que não seja com seus punhos, seja na cara de seu irmão, na cara de sua esposa ou até mesmo nas paredes da prisão (dói só de lembrar dessa cena, quem viu sabe do que estou falando). O poderoso chefão é filme obrigatório pra cinéfilos? Bom, esse também é! 

8. F. Murray Abraham: Amadeus, 1984
Alguém sabe quem foi Antonio Salieri? Tenho certeza que não (a menos que tenha visto esse filme). Agora, acredito que todos saibam quem foi Wolfgang Amadeus Mozart. Esse é o ponto. Amadeus explora justamente a figura desse pobre desconhecido que é Salieri, focando em sua relação com um irreverente e surpreendente Mozart. Relação essa mantida por inveja e ao mesmo tempo admiração sentidas por Salieri bem como sua grande dedicação, a construção e a perda de sua fé e devoção e sua decadência diretamente ao esquecimento. F. Murray Abraham trabalha Salieri em dois momentos: jovem, convivendo com o seu “inimigo” e velho, rancoroso e desesperado. 

9. Dustin Hoffman: Rain Man, 1988
Dustin Hoffman de novo, agora como o inocente Ray Babbitt, homem com problemas mentais que acaba entrando numa longa viagem com seu irmão (Tom Cruise), que num primeiro momento aparece como um verdadeiro explorador. O fato é que esse tipo de personagem é muito complicado de se fazer, pois deve ser tomado exatamente na medida certa. Ray é muito inteligente e cheio de gestos e manias bem caricatas e muito difíceis de se fazer de um modo que pareça algo natural, o que é feito por Dustin Hoffman. Impossível ver Rain Man e esquecer Ray. 

10. Daniel Day Lewis: Meu pé esquerdo (My left foot), 1989
Drama pesadíssimo que acompanha a vida de um deficient físico e mental que não pode se mexer por não ter nenhum controle sobre seus membros, exceto pelo seu pé esquerdo. Christy passa então a se comunicar e até mesmo a fazer pinturas, tudo usando apenas esse pé, o que é algo simplesmente incrível. O filme também acompanha sua complicada relação com os pais, os irmãos e sua difícil adaptação a uma vida de tantas limitações. Acredito que seja o primeiro grande filme de Daniel Day Lewis (não conheço muitos filmes dele anteriores a esse), um ator excepcional que não faz muitos filmes, mas os faz com excelência. 

11. Anthony Hopkins: O silêncio dos inocentes (The silence of the lambs), 1991
Personagem clássico. Todo mundo conhece o famoso Dr. Hannibal Lecter, o seria killer canibal do filme O silêncio dos inocentes, que deu ao ator Anthony Hopkins não apenas seu melhor papel, como o filme que o transformou no ator popular e querido que é hoje. Raramente filmes desse gênero são bem vistos no Oscar, mas O silêncio dos inocentes é bom demais para ser ignorado, graças, em grande parte, a interpretação de Anthony Hopkins. 

12. Al Pacino: Perfume de mulher (Scent of a woman), 1992
Demorou... demorou tempo demais para Al Pacino ganhar um Oscar, mas ele enfim chegou com Perfume de mulher, um drama muito interessante e envolvente sobre um tenente aposentado que está cego e que decide curtir muito por alguns dias e então se matar. É um filme excelente e Al Pacino leva ele sozinho. Perfume de mulher pode não ter a importância e a força de outros filmes de Al Pacino pelos quais ele também foi indicado ao Oscar (estou falando de O poderoso chefão, parte II e Um dia de cão) mas o fato é que sua atuação aqui como Frank Slate é gigantesca e não deve nada ao mafioso Michael Corleone (O poderoso chefão, parte II) ou o confuso Sonny (Um dia de cão). 

13. Nicolas Cage: Despedida em Las Vegas (Leaving Las Vegas), 1995
Tá aí um ator interessante...Nicolas Cage não é um ator que eu goste muito, porque ele faz simplesmente qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo, o cara faz vários filmes seguidos mas o problema mesmo é que em sua grande maioria são filmes ruins, de roteiros fracos, de interpretações sem graça e muito previsíveis ou dependentes de efeitos especiais às vezes toscos também). Só que o ator mostra, vez ou outra, que ele presta pra alguma coisa e aparece fazendo um filme excelente! Assim é com Arizona nunca mais, Adaptação e, principalmente, Despedida em Las Vegas. Ê filme bom. Aqui ele vive um fracassado que resolve ir para Las Vegas e beber, beber, bebeeeeer...até morrer. Acaba se envolvendo com uma prostituta (Elisabeth Shue – perdeu o Oscar por esse filme INJUSTAMENTE!) e as coisas começam a ficar mais complicadas, os dois se envolvem demais durante o longa e aí vai. Filme de atores, acima de tudo! Sustentado exclusivamente pela atuação dos dois atores. 

14. Kevin Spacey: Beleza americana (American beauty), 1999
Abrindo as janelas das casas dos subúrbios de classe média alta dos EUA e mostrando todas as verdades sujas e a hipocrisia que existe por trás do padrão “feliz” de vida seguindo na “América”. É isso que Lester faz quando se propõe a jogar sua vida medíocre pro ar e tentar ser feliz do jeito que bem quiser. Muita coragem, muita ousadia, muita ironia. Kevin Spacey é um dos meus atores preferidos e aqui ele tem a chance de ir o mais longe possível, fazer Lester não é missão tão fácil pela mudança existente na personagem entre o começo do filme em que ele parece estar prestes a explodir até o momento em que ele liga o foda-se de vez. 

15. Colin Firth: O discurso do rei (The king’s speech), 2010
Não morro de amores pelo filme mas uma coisa que ele tem de bom, com certeza são as atuações de seus personagens principais, liderados por Colin Firth, que consegue captar aqui toda a imponência e ao mesmo tempo toda a insegurança de um rei que simplesmente não consegue se comunicar diretamente com seu povo por ser...gago. Simplesmente isso. O ator consegue aqui captar toda a dificuldade e a complexidade do problema da gagueira, com gestos e com a maneira de falar na medida certa, passando sempre a imagem de intenso esforço, em vez da imagem ridicularizada a qual estamos acostumados a ver em filmes com relação a pessoas nessa situação. Também há um lado cômico que aparece vez ou outra, acompanhado de Geoffrey Rush. 

por Lucas Moura

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Sagaranando recomenda: O espião que sabia demais

Hoje eu vou indicar um livro que não li: O espião que sabia demais. Mas não é filme? Também, aí eu aproveito pra indicar o filme do mesmo jeito. É um bom filme, ganhou destaque e algumas indicações a prêmios importantes nas categorias de Melhor filme, Melhor ator (Gary Oldman) e Melhor roteiro adaptado. Mas deixe eu falar da história: George Smiley (Oldman) era um dos melhores agentes do Serviço Secreto britânico até ser aposentado depois de uma missão fracassada. Mas anos depois ele é convocado pela agência para investigar uma suspeita de traição entre os dirigentes do Serviço Secreto.
A questão é: todos os suspeitos sabiam que estavam sendo investigados, o que aumenta a tensão do filme, não só porque eles temiam pelos seus pescoço como também porque o resultado da investigação poderia mudar a posição da Grã-Bretanha na Guerra Fria. Com a ajuda de Peter Guillam (Benedict Cumbertach) e as dicas deixadas pelo antigo chefe do Serviço Secreto, Smiley se arrisca num perigoso jogo de interesses ideológicos, políticos, românticos e claro, financeiros.
O livro foi lançado em 1974, em plena Guerra Fria, e diferente do que estamos acostumados, como 007, não é o tipo de história de espionagem cheio de tiros, explosões e mulheres sensuais. O espião que sabia demais foca o lado burocrático e investigativo, abrindo espaço para personagens profundas e interessantes, o que permitiu ao cinema produzir um excelente filme. 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Incidente em Antares


Erico Veríssimo (1905-1975) é o mais popular escritor gaúcho, e um dos grandes nomes da literatura brasileira do século XX. Com pouco mais de vinte anos já escrevia, e em 1928 lançou seu primeiro livro, Fantoches. Os primeiros romances, que apresentavam uma visão sentimental da classe média urbana, fizeram grande sucesso, principalmente Olhai os lírios do campo (1938). Mas foram os romances histórico-políticos que imortalizaram Veríssimo. Sua obra prima, a trilogia O Tempo e o Vento, conta a história rio-grandense da época das Missões do século XVIII até a Era Vargas através das gerações da família Terra Cambará.
Incidente em Antares (1971) foi o último livro de Erico Verissimo, e um dos mais vendidos. É dividido em duas partes: Antares e O Incidente. A primeira fala da origem da cidade de Antares, no interior gaúcho, a partir de um povoado dominado por um certo Chico Vacariano. Com o crescimento do lugar, chega a família de Anacleto Campolargo, que logo se torna rival de Vacariano. E é essa rivalidade entre essas duas famílias, que disputam o domínio político de Antares, que movimenta a primeira parte. Mas em certo ponto, é firmada a paz entre os dois clãs, que se tornam amigos, sendo que os Vacariano eram conhecidos por serem mais ricos enquanto os Campolargo, na figura de sua matriarca, dona Quitéria, tinham fama de prezarem pela moral e pelos bons costumes.
A primeira parte termina com o falecimento de dona Quitéria Campolargo. A segunda parte, O Incidente, se inicia com o velório da ilustre senhora. Quando o cortejo fúnebre chega ao cemitério, uma surpresa: os coveiros da cidade haviam aderido à greve dos operários, impedindo os sepultamentos de Antares. Mesmo com a pressão dos fazendeiros e da polícia, a família Campolargo não conseguiu enterrar dona Quitéria, cujo caixão ficou na porta do cemitério, junto com outros seis que também haviam sido largados no local.
Os insepultos eram da mais diversas classes sociais: além da rica dona Quitéria, o advogado Cícero Branco, o pianista Menandro Olinda, o estudante comunista João Paz, o sapateiro anarquista Barcelona, o bêbado Pudim de Cachaça e a prostituta Erotildes. Na madrugada, aconteceu o inesperado: os defuntos se levantaram de seus caixões e foram ao centro da cidade exigir um enterro digno. Toda a população ficou apavorada, mas os grevistas não recuaram. Sem o cumprimento de sua exigência, os mortos-vivos ocuparam a praça principal da cidade e ameaçaram revelar segredos dos poderosos da região.
A confusão é imediata – onde já se viu morto levantando do caixão pra exigir enterro? Os defuntos começam a causar problemas: seus corpos em decomposição atraíam moscas e ratos, além de infectar o ar e a água da cidade. Mas a coisa fica séria mesmo quando eles começam a contar os segredos mais perturbadores de Antares.
Incidente em Antares é um dos melhores livros de Erico Verissimo. Tem a fluidez típica dos textos do escritor, além de muito bom humor e claro, a forte crítica social. O livro mostra como uma sociedade moralista e preconceituosa pode ter seus esqueletos escondidos no armário. Isso porque todos os mortos-vivos tinham coisas pra falar: o advogado Cícero sabia de todas as fraudes da administração pública, Erotildes conhecia todos os adúlteros, João morrera nas mãos da violenta polícia local, e até mesmo d. Quitéria põe de lado sua postura aristocrática e revela segredos das famílias ricas.
A obra virou minissérie, exibida pela Rede Globo em 1994.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Oscar - Grandes premiados (3): Melhor Atriz

Agora a porra ficou séria. Vou falar da minha segunda categoria preferida, melhor atriz. Perde apenas para a categoria de melhor filme.
Na disputa de melhor atriz sempre temos ótimas opções. Aqui não há ano fraco, todo ano é ótimo.

1. Vivien Leigh: ...E o vento levou (Gone with the wind), 1939
Antológica. Scarlett O’hara é uma das personagens mais queridas e mais conhecidas não apenas da época de ouro de Hollywood, como de toda a história do cinema. Sua participação como protagonista e heroína de um dos filmes mais assistidos e conhecidos do cinema mundial, elevou a atriz Vivien Leigh a categoria de atrizes top de linha da história. Scarlett é uma personagem que são mil em uma. Riqueza, pobreza, luto, guerra, amores, interesses: tudo passa pela vida de Scarlett e cabe a ela lidar com tudo isso nas longas, porém agradáveis, quatro ou mais horas de duração desse longuíssimo filme que é ...E o vento levou. Grande parte do sucesso do filme cabe à relação entre o casal protagonista, mas acredito que a substituição de Vivien Leigh por outra atriz não obteria o mesmo sucesso. Vivien e Scarlett parecem feitas uma para a outra. Talvez seja essa a chave do sucesso. 

2. Vivien Leigh: Uma rua chamada pecado (A streetcar named desire), 1951
Como assim Vivien Leigh de novo? Bom, pra mim ela merece tudo e mais um pouco em termos de admiração como artista. Vi Uma rua chamada pecado antes de ver ...E o vento levou e admito: acho Blanche (deste filme) uma personagem melhor, mais interessante e mais complexa que Scarlett. Pra mim essa é a melhor atuação da atriz, além de ser a personagem mais interessante desse filme que é marcado justamente por seus personagens muito, muito cheios de nuances. Blanche lidera os quatro personagens principais e é, de fato, a melhor coisa no filme que, digo e repito, é um dos meus clássicos preferidos (acho que é até melhor que Um lugar ao sol, filme que o derrotou na disputa do Oscar de melhor filme).

3. Elizabeth Taylor: Quem tem medo de Virginia Woolf? (Who’s afraid of Virginia Woolf?), 1966
Arrisco-me a dizer que esse é o melhor trabalho de Elizabeth Taylor, a melhor atuação feminina vencedora de Oscar nos anos 60 e um dos melhores, mais complexos e mais cheio de grandes diálogos do cinema estadunidense. Elizabeth vive Marta, uma mulher de meia idade que junto com seu marido (interpretado por Richard Burton) convidam um jovem casal para passar uma noite na casa deles, onde são expostos a muita bebida e a joguinhos de destruição moral, onde os quatro personagens são expostos a discussões e humilhações, tudo na base da palavra, possíveis. Destaque para as grandes discussões entre o casal protagonista que são realmente incríveis. Junto a Uma rua chamada pecado, os dois filmes compõem meus dois elencos preferidos. Ambos liderados por uma atriz. Ambas vencedoras do Oscar. 

4. Jane Fonda: Klute – o passado condena (Klute), 1972
Prostituta cujo sonho é ser atriz (beleza, essa é clichê nos filmes) passa a ser perseguida por uma espécie de maníaco sexual que já foi um antigo cliente seu. No meio dessa história, aparece um investigador (Donald Shutterland) cuja função ali é acompanhar Bree Daniels (Jane Fonda) e tentar descobrir o motivo do assassinato de seu melhor amigo que parece estar, de alguma forma obscura, conectado com a mocinha. Nossa, quanto spoiler. Mas Klute não se preocupa em esconder as coisas. Durante grande parte do filme a gente sabe muito bem que é o psicopata em questão. O grande “X” de Klute é o climão que é formado. Nossa, muito bom. O filme tem partes muito tensas, mesmo que você saiba quem é o bandido da história, pouco importa. O que vale é entrar no clima de mistério. Além disso, Bree Daniels é uma das minhas personagens preferidas. Ela não é simplesmente uma prosituta. Ela é uma mulher muito complexa, que muda várias vezes ao longo do filme, toma posições diferentes, atitudes inesperadas e sempre surpreende (inclusive no final). 

5. Liza Minelli: Cabaret, 1972
Extrovertida, falante, brincalhona, divertida, ousada e ao mesmo tempo triste e insatisfeita. Essa é Sally Bowles. Uma dançarina de um cabaré de Berlim na Alemanha nazista que passa toda uma imagem caricatural de uma pessoa que ela, de fato, não é. Sua vida é mais complexa e conturbada do que parece. Quando então ela se envolve com um jovem (pobre), aí é que a coisa entra em conflito mesmo. Sally passa a se conflitar com antigos preceitos de si mesma, opiniões sobre o que é certo e errado, sobre amor e dinheiro. Dá pra perceber muito bem essa dualidade da personagem no último número musical do filme, que de alguma forma é triste. 

6. Louise Fletcher: Um estranho no ninho (One flew over the cuckoo’s nest), 1975
Pior do que uma pessoa que só faz coisas ruins é uma pessoa que faz coisas ruins crente de que está fazendo algo de bom. Essa é a vaca da enfermeira Mildred Ratched, a mulher que realmente dita as regras num hospital psiquiátrico. E as dita rigorosamente, tomando as atitudes mais enérgicas possíveis para controlar (a palavra é essa mesmo) seus pacientes “loucos” e impedi-los de todas as maneiras a se expressar, a se divertirem ou qualquer outra manifestação que lide com a liberdade de cada um. Mildred ao mesmo tempo que consegue ser irritante, também consegue atrair quem assiste ao filme. Louise Fletcher não é uma atriz que fez muitos filmes (confesso que esse é o único dela que eu realmente lembro), mas aqui ela dá uma das melhores interpretações femininas da Hollywood dos anos 70. Parceria 100% com Jack Nicholson (seu oponente no filme). 

7. Faye Dunaway: Rede de intrigas (Network), 1976
“A televisão encarnada”...até que é uma boa descrição pra Diana. Empresária do ramo televisivo tudo em sua vida, TUDO gira em torno de audiência televisiva. Ela trabalha unicamente para conseguir pontos e mais pontos de audiência para o canal de televisão no qual é funcionária. Por trás das câmeras, a rede televisiva é um grande jogo de intrigas, cheio de pessoas inescrupulosas que fazem tudo para prender você, otário telespectador. Diana é uma delas. Sem escrúpulos. Manipuladora. Faye Dunaway é ótima. 

8. Diane Keaton: Annie Hall, 1977
Não há melhor personagem na filmografia de Woody Allen (minha opinião). Engraçada, divertida, inteligente (inteligente, sim! – quem viu o filme vai entender essa observação), estilosa, sensível na medida certa, moderna (apesar dos muitos anos do filme), cheia de atitude e carisma: essa é Annie Hall, protagonista do filme de mesmo nome, interpretada por uma Diane Keaton em seu auge. Melhor parceria da carreira de ambos, Diane e Woody, coroada com esse filmaço. Ah, talvez esse seja meu filme preferido. 

9. Meryl Streep: A escolha de Sofia (Sophie’s choice), 1982
Tá difícil sofrer mais do que essa Sofia, viu? Tá difícil ser melhor que Meryl Streep também. Não sei se o papel da polonesa sofrida, vivendo nos EUA após sair de um campo de concentração – com direito a famosa escolha do título – seja de fato o melhor papel da atriz, mas que está entre os melhores, está com certeza. O filme todo gira em torno dela e sua atuação é o que sustenta tudo aqui. É o filme de Meryl com maior carga emocional dos que já vi. Vale muito a pena assistir e é um Oscar mutio bem merecido. 

10. Marlee Matlin: Filhos do silêncio (Children os a lesser God), 1986
Mulher surda-muda se envolve com professor de uma escola de alunos com necessidades especiais, na qual trabalha, cujo trabalho é ajudar a desenvolver fala em crianças e jovens surdos-mudos. Ela é muito difícil de se lidar, algo vindo com certeza de todo o sofrimento pelo qual passou em sua vida cheia de limitações. Tá até aí tudo bem. O que há de tão extraordinário assim? A questão é que a atriz, Marlee Matlin, é surda-muda de fato. Durante todo o filme, ela se comunica apenas por linguagens de sinais e expressões faciais que muitas vezes são mais do que suficientes para entender o que ela está pensando pela força que a atriz coloca nas expressões já que não pode usar palavras. Uma das minhas atrizes preferidas, apesar de só conhecer esse filme dela (trabalhos para atores nessa condição com certeza são difíceis...). 

11. Kathy Bates: Louca obsessão (Misery), 1990
Mulher doida, totalmente sem noção, que após um acaso do destino, faz o escritor de sua série de livros, intitulada Misery, como refém e o mantém em cativeiro para que ele mude o final que havia planejado para a série de sucesso. Essa mulher é medonha. Ela passa uma imagem estável, mas é só começar a falar ou a ser contrariada que ela se transforma em uma pessoa totalmente diferente, capaz de tudo (quem viu o filme, sabe de que cena em específico eu estou falando). Filme baseado em obra de Stephen King, o rei dos personagens violentos e bizarros. 

12. Frances McDormand: Fargo, 1996
O que é mais Coen do que uma policial grávida interpretada pela hilária Frances McDormand cuja missão é investigar um seqüestro de uma mulher, filha de um homem rico da região? Marge é muito divertida, apesar de ao mesmo tempo ser uma personagem séria, numa missão séria de resgate. Tudo isso, obviamente, é recheado com o humor irônico não só dos Coen, como também da própria Frances, que é uma grande atriz que sempre traz bons trabalhos. 

13. Charlize Theron: Monster, 2003
Vi esse filme há muuuuito tempo atrás e ele de fato me impressionou muito, pois até hoje falo muito e muito bem dele. Nele, uma Charlize Theron incrivelmente feia e acabada (maquiagem realmente faz milagre) é uma prostitua, lésbica, apaixonada por uma garota mais jovem que se torna a primeira seria killer (primeirA) dos EUA. Interpretação muito forte da atriz, seu melhor trabalho (em segundo lugar viria Terra fria de 2006) e uma das melhores vencedoras da década. 

14. Marion Cotillard: Piaf (La vie en rose), 2007
Uma artista interpretando uma artista. Marion faz o papel de Edith Piaf e não nos poupa de nenhum, NENHUM dos muitos, MUITOS sofrimentos pelos quais a cantora francesa passou durante sua curta e movimentada vida. O filme em si é meio chato, algumas vezes é entediante mesmo. Tem horas que a pessoa cansa de ver tanto sofrimento. O que salva o longa: Marion Cotillard, que está incrível no papel. Sua grande transformação física e psicológica pra captar todos os altos e baixos da cantora garantem a Marion um lugar entre as grandes vencedoras do Oscar (vencendo nesse ano a experiente Julie Christie por um filme excelente chamado Longe dela). 

15. Natalie Portman: Cisne negro (Black Swan), 2010
Nina. Jovem e talentosa bailarina que recebe o maior desafio de sua carreira: interpretar a rainha dos cisnes, no balé do Lago dos cisnes. Interpretar o cisne branco, tudo ok. O problema é se transformar no cisne negro, uma figura que é justamente o oposto de tudo aquilo que Nina sempre foi forçada a ser. Uma personagem conturbadíssima, que sofre muito tanto psicologicamente quanto fisicamente, complexa, com uma sexualidade totalmente abafada pela presença constante de sua mãe controladora (Barbara Hershey) que quanto mais é colocada sobre pressão, mais entra mais e mais fundo numa onda alucinante de loucura. Dentre as jovens atrizes, Natalie Portman é a melhor e sua carreira já está coroada, graças a esse longa, que vai deixar a atriz fixa no imaginário dos cinéfilos. 

por Lucas Moura

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Doidinho

Depois de crescer no engenho do avô como um legítimo moleque descontrolado, Carlinhos é levado por seu tio Juca a Itabaiana, para estudar no colégio interno de seu Maciel. O colégio, como o menino logo descobriu, era o mais rigoroso da cidade - o temperamento rude do diretor e a palmatória garantiam a eficácia da disciplina. A primeira coisa que fez Carlinhos perceber que sua vida ia mudar foi com o tratamento, passando a ser chamado de seu Carlos de Melo. As primeiras semanas no colégio foram muito difíceis: os estudos do menino estavam atrasados - o que fez a palmatória de seu Maciel cantar muito em suas mãos - e as saudades da família e dos amigos o atormentaram bastante. 
Mas aos poucos Carlinhos passa a enxergar o colégio com outros olhos: melhora nos estudos e se torna mais interessado e aprende a conviver com seus colegas, principalmente o João José, apelidado de Coruja. É em Coruja que Carlinhos encontra amizade e lealdade - o amigo, inclusive, era o único que não o chamava de Doidinho, apelido que ganhara por ser muito inquieto. Aliás, todos na escola tinham apelidos: Pão-Duro (o avarento), Papa-figo (um menino que tinha uma grave doença e estava sempre pálido), entre outros.
Outro fato que merece atenção é o amor não correspondido por Maria Luísa, que estudava no colégio mas em regime aberto. Carlinhos chega a enviar recados, que são interceptados por seu Maciel e devidamente punidos com palmatória e humilhação. E assim é a permanência de Carlos de Melo no colégio, cheia de altos e baixos.
Doidinho (1933) é a continuação de Menino de engenho (post aqui) , e apresenta diferenças importantes em relação ao primeiro. Ele é menos lírico e saudosista e também é mais crítico e social, isso porque Carlinhos passa a perceber que o mundo é bem maior do que o engenho de seu avô. Ele passa a ver as grandes injustiças do mundo, como o autoritarismo e a pobreza - reforçando o típico caráter esquerdista da 2ª fase modernista. Carlinhos também volta a sofrer com as lembranças do pai e da morte da mãe. É um ótimo livro, mas confesso que gosto mais de Menino de engenho. Mas nem por isso deixo e recomendá-lo.
Por se passar num colégio interno, Doidinho é constantemente comparado a O Ateneu, clássico de Raul Pompeia.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Oscar - Grandes premiados (2): Melhor ator acoadjuvante

Segunda postagem, agora para falar das atuações masculinas como coadjuvantes que mais me marcaram dentre os coadjuvantes que ganharam o Oscar e que eu pude ver.

1. Karl Malden: Uma rua chamada pecado (A streetcar named desire), 1951
Esse filmaço tem quatro grandes atuações. Todas foram indicadas ao Oscar. Três saíram vencedoras, e uma delas é a de Karl Malden, como o pobre coitado e muito bem intencionado Mitch, cujo grande problema é se sentir atraído e realmente querer algo sério com a problemática Blanche (Vivien Leigh). Tem uma sessão específica em que os dois discutem que é excepcional.

2. Joel Grey: Cabaret, 1972
Um dos meus musicais preferidos e um dos meus coadjuvantes preferidos. Joel Grey faz aqui o mestre de cerimônia que faz vários e vários espetáculos nos palcos do famoso cabaré alemão dos anos 20 onde se apresenta a famosa Sally Bowles (Liza Minelli). Sua atuação é limitada aos palcos do cabaré, em grandes apresentações musicais como muita dança e cantoria. Todas ótimas, destaque para “Money makes de world go around, Money makes the world go around...” música chiclete que fala da relação não apenas deles, como de todos, com o dinheiro. 

3. Robert DeNiro: O poderoso chefão, parte II (The godfather, part II), 1974
Quase tão bom quanto ver o Don Corleone forte, temido e poderoso feito por Marlon Brando, é ver o jovem Don Corleone interpretado por Robert DeNiro na segunda parte da trilogia. Aqui, Don Corleone é só mais um pobre coitado. Vamos acompanhar o nascimento daquela figura tão imponente e marcante que acompanhamos no primeiro filme.

4. Timothy Hutton: Gente como a gente (Ordinary people), 1980
O ator mais jovem a vencer nessa categoria, Timothy Hutton interpreta o jovem Conrad. Nossa, como esse cara sofre. Devastado pela perda não tão distante de seu irmão mais velho num acidente de barco, recém saído de uma internação por ter tentado cometer suicídio justamente por causa desse acidente e tendo que conviver com seu psicólogo, antigos amigos que nada podem fazer, um pai confuso (Donald Shutterland) e  uma mãe que é uma mulher totalmente fria, distante e incompreensiva (interpretada por Mary Tyler Moore, também indicada ao Oscar pelo longa.

5. Louis Gosset Jr.: A força do destino (Na officer and a gentleman), 1982
Paralelo a historinha de amor açucarada vivida por Richard Gere e Debra Winger, temos o sargento Emil Foley, cuja função é infernizar aquele rapazes, e moça, que tanto querem um alto cargo no exército. Ele realmente é muito rígido, muito agressivo e seu treinamento não é para qualquer um. Interessante também é sua relação com o protagonista, interpretado por Richard Gere, que vai da competição à admiração e o respeito mútuo, tanto como oficiais do exército quanto como pessoas. 

6. Michael Caine: Hannah e suas irmãs (Hannah and her sisters), 1986
O Elliot interpretado por Caine é uma figura meio desengonçada que acha estar perdidamente apaixonado por Lee (Barbara Hershey) ao mesmo tempo em que é casado com Hannah (Mia Farrow) com quem mantém uma relação instável, não por parte dela, mas por parte de si mesmo, por julgar a si mesmo como inferior e menos importante na relação com a esposa. Mais um dos personagens insatisfeitos que Woody Allen tanto gosta de mostrar.

7. Kevin Kline: Um peixe chamado Wanda (A fish called Wanda), 1988
Um “italiano” criminoso e mal caráter que faz questão de forçar muito seu sotaque tosco, tem um caso com a personagem de Jamie Lee Curtis, todo caricato, espalhafatoso e muito, muito engraçado. É a maior graça desse filme de comédia de nome esquisito que gosto tanto e o segundo trabalho de Kline que mais admiro (o primeiro, sem dúvida, é seu papel em A escolha de Sofia). 

8. Joe Pesci: Os bons companheiros (Good Fellas), 1990
Demorou pra Joe Pesci levar seu Oscar, mas em 1990 chegou sua vez com o mau caráter, sem noção, violento e sádico Tommy, um baixinho ignorante e um dos mais perigosos homens daquela máfia que dominava grande parte dos negócios da cidade.

9. Martin Landau: Ed Wood, 1994
Martin interpreta Bela Lugosi, um grande nome dos primórdios do cinema, famoso por ter interpretado Drácula, o primeiro Drácula! Muitos anos mais tarde, Lugosi é um morto na industria cinematográfica e não há nenhum interesse no tipo de entretenimento que ele mostra em seu trabalho. Eis que surge a chance bizarra de trabalhar com Ed Wood, um dos diretores mais toscos da história do cinema, famoso por fazer filmes de ficção científica/ terror de baixo orçamento e de qualidade extremamente duvidosa. Obs: para quem não sabe tanto Bela Lugosi quanto Ed Wood são personagens reais da história do cinema! 

10. Tim Robbins: Sobre meninos e lobos (Mystic river), 2003
Melhor personagem desse grande filme de Clint Eastwood, Tim Robbins vive um homem problemático que sofre com um acontecimento trágico que ocorreu na sua infância e que se vê envolvido com a violenta morte da filha de um antigo amigo de quando era criança (interpretado por Sean Penn). Sua personalidade confusa e as evidências do crime levam até mesmo a sua esposa (Marcia Gay Harden) a acreditar que ele é o culpado.

11. Alan Arkin: Pequena miss Sunshine (Little miss Sunshine), 2006

O vovô é uma grande figura do filme. Em meio aquela família cheia de desajustados, ele consegue se destacar como uma figura totalmente diferente do que se imagina de alguém da terceira idade. Pervertido e viciado em heroína, o vovô dá vários conselhos totalmente fora do convencional e é a grande sustentação de Olive (Abigail Breslin) e quem mais alimenta seu sonho de ser a rainha da beleza infantil. Destaque para a coreografia que ele criou para a apresentação da neta no concurso... é uma cena que dispensa comentários de tão engraçada.

12. Javier Bardem: Onde os fracos não tem vez (No country for old men), 2007
O sádico e implacável assassino do filme é o que há de mais interessante no longa. De assustador, ele passa a ser divertido. Principalmente por aquele cabelinho totalmente ridículo. Um personagem que não foge muito dos padrões dos irmãos Coen, e isso é muito bom por si só.

13. Heath Ledger: O cavaleiro das trevas (The dark knight), 2008
O Coringa de Ledger é mil vezes melhor que o próprio Batman de Christian Bale e consegue ser superior até mesmo ao Coringa interpretado por Jack Nicholson nos anos 80. É um dos melhores vilões de filmes de heróis que já foram feitos. Extremamente violento, perturbado e muito, muito sádico. É raro ver um ator se entregar tanto assim numa personagem. Com certeza é o melhor papel de Heath Ledger. É tão bom que se tivesse sido indicado a melhor ator, teria dado muito trabalho ao vencedor do ano, Sean Penn (Milk –a voz da igualdade). Infelizmente, esse Oscar é póstumo, visto que o ator morreu antes de receber o prêmio. É realmente uma grande pena, pois Heath Ledger era um grande ator e sua carreira com certeza só iria crescer mais e mais após esse papel impressionante. 

14. Christoph Waltz: Bastardos inglórios (Inglorious basterds), 2009
Como esquecer do incrível Coronel Hans? Uma das personagens mais interessantes da filmografia de Quentin Tarantino, é o maior destaque desse grande filme que é Bastardos inglórios. Apesar de ser violento, o que realmente marca o coronel é seu humor sarcástico e ao mesmo tempo sádico, além de sua incrível inteligência. Não é a toa que no filme ele é o maior caçador de judeus da Alemanha nazista. Levou o ator austríaco Christoph Waltz ao sucesso imediato. 

15. Christian Bale: O vencedor (The fighter), 2010
Fracassado, agressivo, problemático, viciado em drogas, péssima influência e ao mesmo tempo um grande nome do boxe. Esse é Dicky, personagem vivido por Christian Bale no filme O vencedor, que é uma espécie de modelo a ser seguido, e também a ser evitado, para seu irmão, Micky Ward (Mark Whalberg). É um personagem muito complicado e a peça chave de todo o filme. Durante o longa, muitas vezes tudo gira mais em torno de Dicky do que do irmão (teoricamente, o protagonista).

por Lucas Moura