domingo, 11 de março de 2012

Literatura universal: o que é?

Às vezes aqui no blog eu falo sobre a universalidade na literatura, especialmente quando comento sobre uns livros que se tornaram clássicos. O fato de serem considerados universais, inclusive, contribuiu para que eles chegarem ao status de clássicos. Sim, mas o que é universal? Basicamente, é quando o livro não se restringe ao tempo e nem ao espaço, pois explora aspectos psicológicos das personagens. Ou seja, as situações e dilemas das personagens não se prendem ao local e à época em que a história é narrada, mas podem acontecer com qualquer pessoa, pois tem forte análise psicológica.
Exemplificando com um conhecido livro brasileiro, Dom Casmurro, de Machado de Assis. Nele temos Bentinho: amargurado, ciumento, neurótico, solitário, obsessivo, parasita social (não trabalhava, vivia dos juros de sua fortuna). Essas características não se restringem a um homem velho do Rio de Janeiro, pois pra achar que tá levando chifre não precisa necessariamente estar casado com alguém que tenha olhos de cigana oblíqua e dissimulada, hehe.
E não poderia deixar de falar do caso de Guimarães Rosa, que conseguiu universalizar o regional. Como assim? Toda a obra de Guimarães se passa no sertão de Goiás e Minas Gerais, e os primeiros livros traziam histórias bem restritas aqueles lugares. Mas em Grande sertão: veredas, ao falar dos dilemas sentimentais do jagunço Riobaldo e como a cabeça dele estava uma bagunça por causa de Diadorim, são expostos temas comuns a todas as pessoas: vingança, medo, ódio, amor, saudade e arrependimento.
Outros exemplos de grandes autores universais do Brasil e de outros países são Clarice Lispector, Raduan Nassar,  Dostoiévski, Kafka, Leon Tostói, García Marquez, Virgínia Woolf, Albert Camus, José Saramago, e muitos outros.

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