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sexta-feira, 17 de setembro de 2021

Filmes pro final de semana - 17/09


1. Rosa e Momo (La vita davanti a sé, 2020)
Depois de mais de uma década sem estrear nas telonas, a estrela Sophia Loren dá um tempo na aposentadoria para brilhar em um filme feito pela Netflix. Rosa e Momo é baseado no livro A vida pela frente, que já fora adaptado para o cinema em 1977 como Madame Rosa (La vie devant soi), e acompanha a história de uma sobrevivente de Auschwitz, já idosa e ex prostituta, que cuida de filhos das profissionais do sexo. Rosa recebe de um amigo de longa data o desafio de cuidar de um menino senegalês órfão e muito rebelde, envolvido com pequenos delitos e que chega à sua casa causando muito conflito. O filme usa de muitos clichês, apela pro sentimentalismo, mas é lindo. Lindo, bem feito, muito bem atuado por Sophia Loren e pelo jovem Ibrahima Gueye. Ótima pedida pra se emocionar.
Nota: 8,5/ 10

2. História de um casamento (Marriage story, 2019)
Eu não sou a melhor pessoa pra falar desse filme porque ele me deixa um tanto incapaz de analisá-lo racionalmente, tamanha a emoção que me proporcionou. História de um casamento foi um dos destaques do Oscar do ano passado e mais uma prova da força da Netflix para concorrer com os estúdios de Hollywood. O filme acompanha a crise do casamento e divórcio do jovem casal Charlie (Adam Driver) e Nicole (Scarlett Johansson), ele um promissor diretor de teatro e ela uma ótima atriz que deixou a carreira em segundo plano para cuidar da família. O desejo de seguir novos caminhos profissionais leva Nicole de volta para a casa da mãe, na Califórnia, enquanto Charlie argumenta que não pode deixar Nova York por conta de seu trabalho e da ascensão de seu nome perante público e crítica. O divórcio que seria amigável se torna uma feroz batalha a partir do momento em que Nicole contrata uma agressiva advogada de divórcios que torna o litígio mais complicado, tanto pela parte legal quanto por ajudar Nicole a entender melhor o processo de desgaste da relação. O filme consegue fugir do convencional, conduzindo numa narração envolvente e emocionante que não é nada piegas. Direção e elenco primorosos entregando um filme sensacional.
Nota: 10

3. Chico, artista brasileiro (2015)
O documentário do diretor Miguel Faria Jr. tem estrutura bastante semelhante ao de Vinícius (2005), longa sobre o poetinha que Faria Jr dirigiu e é um dos filmes mais vistos do gênero no Brasil. O próprio Chico Buarque conduz a narração de sua vida, na época beirando os setenta anos de idade e há muito consolidado como um dos maiores artistas da história do país. Cantor, compositor, músico, dramaturgo, romancista, sambista e notável peladeiro, Francisco Buarque de Holanda se destaca no cenário cultural desde a década de 60, quando lançou A banda, uma de suas músicas mais populares até hoje. Enfrentou o Regime Militar e foi exilado, participando ativamente do movimento de redemocratização. O filme conta com depoimentos de familiares e amigos, além de participações musicais de parceiros e de artistas influenciados por Chico.
Nota: 10

4. Mussum, um filme do cacildis (2018)
A história de Antônio Carlos Bernardes Gomes, (muito) mais conhecido como Mussum, é contada por Lázaro Ramos, que narra o documentário de maneira muito instigante (me fez lembrar a narração do clássico Ilha das Flores), mostrando as diversas facetas do artista. Sambista de alto nível, dono de voz ótima e suingue único ("o melhor tocador de reco-reco que já existiu", dizem em certo momento do filme), Antônio ingressou na vida artística através do samba, sendo um dos criadores do grupo Os originais do samba, onde ficou famoso, não só pela música, mas pelo carisma, jeito engraçado e palavras que se tornaram marcas registradas - foi depois de fazer uma brincadeira com Grande Otelo que ganhou deste o apelido de Mussum, que posteriormente adotou como nome artístico. O documentário peca por não explicar melhor como se deu o ingresso de Mussum no humor, mas merece o crédito de tratar da questão do racismo, que era levantada por ele e pelos Trapalhões - de uma forma que hoje é considerada não muito ortodoxa, mas há de se considerar a época e o contexto. Aflitivo ao falar do final da vida de Mussum, o filme mostra o quanto o artista foi gigante e ainda permanece vivo no imaginário popular brasileiro.
Nota: 8,5/ 10

5. O homem que sabia de menos (The man who knew too little, 1997)
Vamos ver comédia pastelão porque a vida não tá fácil e precisamos dar boas gargalhadas. Bill Murray interpreta Wallace, um cara bem pouco inteligente que viaja para Londres, para passar o aniversário com seu irmão James (Peter Gallagher), e ganha deste um ingresso para uma noite de teatro integrativo, em que o pagante entra num drama criminal. Acontece que Wallace acaba se metendo num crime verdadeiro e de grandes proporções para a diplomacia europeia, mas passa boa parte da história sem fazer ideia da gravidade do enredo em que havia entrado. Como eu disse, aqui temos um pastelão, e dos bons: engraçado a todo o tempo, despretensioso, simples: o melhor tipo de filme para relaxar e não ter trabalho nenhum de pensar pra entender o que está acontecendo.
Nota: 8,0/ 10

Luís F. Passos

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Filmes pro final de semana - 21/08

1. Sergio (2020)

Produzido e estrelado por Wagner Moura, esse original da Netflix mostra parte da carreira do diplomata Sergio Vieira de Mello (Moura), Alto Comissário de Direitos Humanos que vai para Bagdá na Guerra do Iraque para coordenar a equipe que planejava a reconstrução e redemocratização do país. Vítima fatal de um atentado à bomba, Sergio tinha uma carreira brilhante e altas chances de ser o próximo Secretário-Geral das Nações Unidas. O filme mostra sua permanência no Iraque e momentos importantes de sua carreira, como a atuação na independência do Timor Leste, além de detalhes de sua vida pessoal - a distante relação com os filhos e o namoro com a colega da ONU Carolina Larriera (Ana de Armas), que após sua morte foi reconhecida como sua esposa. Pouco documental e emocionante na medida certa, o filme tem um ótimo elenco, capitaneado pelo sempre excelente Wagner Moura.
Nota: 8,0/ 10
2. Brooklyn (2015)
Essa carismática comédia romântica é centrada em Ellis (Saoirse Ronan), uma jovem irlandesa que deixa sua terra natal porque sonhava com algo diferente de casar e ser dona de casa - destino de todas as moças de sua cidade. Ela então se muda para os Estados Unidos e vai morar no Brooklyn, onde arruma emprego e começa a conhecer novas pessoas. Quando conhece o simpático e divertido bombeiro Tony (Emory Cohen), descente de italianos, Ellis acredita ter conhecido o amor de sua vida e que todo seu futuro está definido, mas acontecimentos na Irlanda põem a garota numa encruzilhada para decidir entre o amor e o dever familiar.
Nota: 8,0/ 10
3. Tim Maia (2014)
A cinebiografia do genial e autodestrutivo cantor brasileiro é baseado em livro do crítico Nelson Motta. Vemos a infância pobre, o início da carreira na adolescência (tendo Robson Nunes como intérprete)- ao lado de Roberto Carlos, que seguiu caminhos diferentes - , a ida aos Estados Unidos e o retorno ao Brasil (já interpretado por Babu Santana) trazendo uma imensa influência do soul e do funk. Ótimo compositor e extraordinário cantor, Tim Maia surfou em ondas de sucesso que quebravam devido à sua personalidade forte e pavio curto, além de acontecimentos bizarros como sua participação na seita da Cultura Racional, que rendeu três discos com letras estranhas mas com melodias e arranjos sensacionais. Apesar das críticas negativas de familiares e amigos, que apontaram algumas incoerências no longa, o filme tem seus méritos e merece ser assistido.
Nota: 8,5/ 10 
4. A lista de Schindler (Schindler's list, 1993)
Talvez seja o mais aclamado filme de Steven Spielberg, e é um dos que mais gosto (meu preferido dele é A cor púrpura). Quase todo mundo já viu, e quem não viu deve ver. Baseado na história real do empresário alemão que salvou milhares de vidas, A lista de Schindler é um filme que emociona sem ser apelativo. Mostra como Schindler (Liam Neeson), um industrial que empregava judeus de um gueto, consegue se esquivar da máquina mortífera da SS e livrar os moradores do gueto de serem enviados a Auschwitz, onde a morte era quase inevitável. O filme traz cenas inesquecíveis como a do oficial psicopata Amön Goth (Ralph Fiennes) praticando tiro ao alvo em pessoas e a marcha dos judeus saindo do gueto, com uma pequena garota vestida de vermelho (único elemento colorido do filme, que é em preto e branco) andando à frente.
Nota: 10
5. Ladrão de casaca (To Catch a Thief, 1955)
Um dos filmes mais elegantes de Alfred Hitchcock traz Cary Grant como o bon vivant John Robie, ex-ladrão de joias conhecido como Gato, devido a suas habilidades em invadir apartamentos e fugir por telhados. O bonitão corre o risco de ser preso quando começa uma onda de roubos de joias na Riviera Francesa, já que o estilo dos crimes é idêntico ao seu. Para provar sua inocência ele tenta seguir o rastro dos crimes, contando com a ajuda da charmosa e mimada Frances Stevens (Grace Kelly), filha de uma milionária que é um alvo em potencial do novo Gato. Charmoso e intenso, este é mais um bom representante da obra do Mestre do suspense.
Nota: 9,5/ 10

Luís F. Passos

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Filmes pro final de semana - 28/02

1. O Irlandês (The Irishman, 2019)
O filme que talvez seja o último da brilhante carreira de Martin Scorsese é uma obra prima. Não há outra definição. As mais de 3 horas de duração de O Irlandês são puro deleite para os fãs de Scorsese e para qualquer apreciador do bom cinema. 24 anos depois de Cassino, Scorsese retoma a parceria com o amigo de longa data Robert De Niro, que dá vida a Frank Sheeran, caminhoneiro e veterano de guerra que entra na máfia aos serviços da poderosa família de Russel Bufalino (Joe Pesci), e a partir de então se torna assassino profissional. Frank ganha a alcunha de "o irlandês" e uma bela reputação por sua eficácia e discrição. Algum tempo depois ele entra no mundo dos sindicatos e se aproxima do poderoso Jimmy Hoffa (Al Pacino), o todo poderoso do sindicato de transportes. Disputas por poder e a grande pressão do FBI e do governo sobre o sindicato fazem a figura de Hoffa ser cada vez mais questionada, e cabe a Frank decidir até onde vai sua lealdade ao chefe - o que é decisivo nos momentos mais intensos do filme. 
Nota: 10 
2. O Barato de Iacanga (2019)
Quem imaginaria que uma fazenda no interior paulista, numa região bastante conservadora, ainda mais em pleno regime militar, seria o palco pra hippies andarem nus livremente? O Barato de Iacanga traz a história pouco conhecida por trás do lendário Festival de Águas Claras (que infelizmente não é conhecido como merece), realizado em quatro edições entre 1975 e 1984. Conhecido como Woodstock do Brasil, o Festival evoluiu de um encontro de bandas de rock progressivo, uma coisa mais underground, para uma reunião de artistas consagrados e extremamente populares, como Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Alceu Valença e João Gilberto - momento mostrado no filme como o apogeu do festival, quando João Gilberto cantou Wave junto a uma multidão de 100 mil pessoas na terceira edição, em 1983. Conduzido de uma maneira bastante leve, mesmo ao tratar da repressão da época e de todo o esforço do idealizador Leivinha e sua família para contornar a censura, o filme é uma mistura de cultura, memória e resistência. Dá uma saudade do que a gente não viveu.
Nota: 9,5/10
3. Democracia em vertigem (2019)
Nunca antes na história desse país uma indicação ao Oscar gerou tanta polêmica. O documentário que retrata a ascensão e queda do Partido dos Trabalhadores, com a consequente guinada à direita e extrema direita que o Brasil deu foi indicado ao Oscar e gerou opiniões diametralmente opostas, que vão do amor ao extremo ódio. Dirigido por Petra Lopes, que é filha de militantes de esquerda e neta de empreiteiros, o filme não é uma defesa de Lula ou exaltação aos anos em que o PT presidiu o País. Petra começa pelo fim do mandato de Lula, e a partir das manifestações de junho de 2013 mostra a queda da popularidade de Dilma e de toda a esquerda, passando pelas turbulentas eleições de 2014 e pela chegada de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados - fato decisivo no conturbado segundo mandato de Dilma. Vemos o rompimento de Cunha com o Planalto, a abertura do processo de Impeachment, a deplorável cena da votação na Câmara em abril de 2016, o julgamento de Dilma no Senado meses depois com a deposição da presidenta e consequente posse de Michel Temer, a podridão por trás daqueles que articularam e executaram o Golpe (os escândalos envolvendo Temer e Aécio com a JBS). Fatos tão conhecidos e que mostram todo o caminho percorrido até chegarmos no delicado momento em que estamos, sob a tutela de um governo iminentemente autoritário que a cada dia ameaça as instituições democráticas.
Nota: 9,5/10
4. Aquarius (2016)
Do mesmo diretor de um dos filmes mais falados no ano passado em terras tupiniquins (claro que tô falando de Bacurau. Aliás, você viu Bacurau?), Aquarius merece ser incessantemente comentado e aplaudido mais ainda. O longa traz Clara (Sonia Braga, rainha da p* toda), uma jornalista aposentada que mora em um velho prédio na praia de Boa Viagem, no Recife, resistindo à pressão de vender seu apartamento para que seja construído um edifício de luxo no lugar. Todos os moradores já haviam vendido suas casas, exceto Clara. Ao longo do filme ela demonstra uma força incrível para defender o lugar em que passou boa parte de sua vida e criou os filhos, lutando conta a construtora, os vizinhos - e a empresa nada mais é do que a representação da opressão que parte dos mais ricos, tão forte em nossa sociedade ("ou você é Cavalcanti ou é Cavalgado"). Através de um grande elenco liderado por Sonia Braga, um filme excelente sobre a mulher, o passado e o Brasil.
Nota: 10
5. Vinícius de Moraes (2005)
Mais um documentário, e o mais delicioso filme da lista de hoje. Não podia ser diferente ao falar de um dos mais populares poetas do Brasil: Vinícius de Moraes, o eterno poetinha. Poeta, cantor, músico, compositor, diplomata e amante inveterado, Vinícius é, sem dúvidas, uma das figuras mais importantes da cultura brasileira do século XX, com grande importância para a cultura mundial. Afinal, estamos falando de um dos pioneiros da Bossa nova e compositor da Garota de Ipanema. O filme é guiado pelas interpretações magistrais de Camila Morgado e Ricardo Blat, declamando poesias e lendo outros textos de Vinícius, e recheados de entrevistas de pessoas que conviveram com ele: uma irmã, filhas, e artistas como Chico Buarque, Toquinho, Edu Lobo, Carlos Lyra, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros. Também participam artistas que interpretam músicas de Vinícius, a exemplo de Zeca Pagodinho, Mart'nália e Adrina Calcanhotto. Acompanhamos a vida do poeta, seu trabalho artístico e no Itamaraty, os amores e seus nove casamentos, as lembranças saudosas dos amigos, a popularização de Vinícius, inclusive s turnês internacionais de sucesso, e o declínio de sua saúde, que levou à sua partida aos 66 anos. Destaco os vários testemunhos bem humorados de Chico Buarque e o emocionante depoimento de Edu Lobo sobre o gradativo adoecimento do parceiro Vinícius. É um documentário imperdível, envolvente, incrivelmente prazeroso de se ver.
Nota: 10

Luís F. Passos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Filmes pro final de semana - 18/01


1. Minha vida em Marte (2018)
Vamos aplaudir as comédias nacionais. Os ótimos Mônica Martelli e Paulo Gustavo reaparecem como Fernanda e Aníbal quatro anos depois de Os homens são de marte... e é pra lá que eu vou, com a protagonista casada e mãe de uma filha. Desde o início do filme percebemos a grave crise do casamento de Fernanda e Tom (Marcos Palmeira) e suas tentativas de salvar a união. O longa então acompanha o dilema de Fernanda entre persistir com a ansiedade de seguir com alguém e a necessidade de ser feliz consigo mesma. Tudo isso em meio a cenas e diálogos hilários, em sua maioria divididos com a personagem de Paulo Gustavo, seu melhor amigo e eterno companheiro. E é nisso em que foca boa parte do filme: o valor inestimável de uma amizade verdadeira.
Nota: 7,5/ 10
2. 007 contra Spectre (Spectre, 2015)
Apesar de minha antipatia a filmes de ação, sou um grande fã da franquia 007, especialmente dos filmes estrelados por Daniel Craig nos últimos 14 anos. Em Spectre temos James Bond afastado do trabalho após uma operação não oficial que resultou em um tremendo estrago; o espião segue pistas que parecem pontas soltas mas que o levam a uma organização criminosa de imenso poder e alcance, que parece estar ligada a diversos problemas enfrentados anteriormente por ele - tanto da espionagem como pessoalmente. Por trás dessa organização há o maligno Franz Oberhauser (o sempre excelente Christolph Waltz), que tem clara obsessão por destruir Bond. O filme é sensacional. Quase tão bom quanto Skyfall, Spectre traz elementos clássicos da franquia, o formato tradicional e os amados clichês como os apetrechos, carros esportivos e estonteantes Bondgirls - aqui, uma sensacional: a maravilhosa Léa Seydoux.
Nota: 8,5/ 10
3. Carol (2015)
Um filme lindo, triste, sensível e abrilhantado pelo descomunal talento de suas protagonistas. Carol Aird (Cate Blanchett) é uma mulher rica e de personalidade forte que está se divorciando de seu marido Harge (Kyle Chandler), um empresário com quem tinha uma relação fria, em que a maior realização foi a filha Rindy. Às vésperas do Natal, enquanto procurava um brinquedo para sua filha, Carol conhece a jovem Therese Belivet (Rooney Mara), vendedora de uma loja de departamentos; imediatamente uma desperta interesse pela outra, e em pouco tempo se apaixonam. Em meio à Nova York dos anos 50, com toda sua ignorância e preconceito, o casal acaba enfrentando difíceis obstáculos, como Harge, que ameaça proibir que Carol se aproxime da filha. Através de uma direção meticulosa e das perfeitas atuações, o filme é marcado pela gentileza e suavidade, sem extravagâncias, onde um simples olhar pode dizer muito. Absolutamente encantador.
Nota: 9,5/ 10
4.  What Happened, miss Simone? (2015)
Um documentário do Netflix que todo mundo deve assistir. Uma história de vida dramática que todos devem conhecer. A vida de Eunice Waymon, consagrada com o nome artístico de Nina Simone, se confunde com a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Nascida nos anos 30 em uma pequena cidade da Carolina do Norte, a pobre menina negra aprendeu a tocar piano na igreja com apenas quatro anos. Aos sete, numa apresentação, chamou a atenção de uma senhora branca, que passou a lhe ensinar os maiores mestres da música clássica. Na mesma ocasião, conheceu o preconceito - seus pais tiveram de se sentar na última fila. Recusada por um conservatório, ela acabou tocando e cantando em bares, onde foi descoberta e a partir de então projetada como uma estrela. O casamento conturbado, a difícil relação com os filhos, a forte presença no movimento negro e a luta contra os próprios demônios são os grandes elementos muito bem abordados pelo filme que ajuda a preservar a memória de quem foi uma artista única e uma mulher mais singular ainda.
Nota: 9,5/ 10
5. Ela (Her, 2013)
Sem dúvidas um dos melhores e mais bonitos filmes dos últimos anos. Theodore (Joaquin Phoenix) é um solitário escritor que acaba se apaixonando por um sistema operacional (OS). O filme é ambientado num futuro próximo, onde a tecnologia é sutilmente mais avançada que no presente, e os sistemas operacionais são grandes facilitadores da vida das pessoas. Samantha (voz de Scarlett Johansson), o OS de Theodore, dotado de voz feminina e personalidade, acaba por envolver seu dono. A ideia do amor entre um homem e um software parece totalmente plausível, apesar de uma certa estranheza com que muitas pessoas encaram a relação. A proposta é fazer pensar na relação de dependência com a tecnologia além de, claro, afirmar que toda forma de amor vale a pena.
Nota: 10

Luís F. Passos

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

New Orleans - where the blues was born

Do you know what it means to miss New Orleans?
and miss it each night and day...
I know I'm not wrong, this feeling is gettin stronger
the longer I stay away

Das gratas surpresas que a internet nos traz, filme sempre é uma boa. Ao longo dos últimos anos em que venho me dedicado a apreciar o cinema (infelizmente cada vez menos), não foram raras as vezes em que descobri filmes através de blogs, redes sociais ou mesmo pelo YouTube. Sim, YouTube! E aqui temos um exemplo. Sou grande fã do jazz, apesar de meu pouco conhecimento a respeito. E entre uma música e outra descobri que Louis Armstrong e Billie Holliday, dois titãs da música do século XX, estrearam um filme nos anos 40 sobre a origem do blues e do jazz, embalado por canções incríveis.
O ano é 1917 e estamos na pomposa cidade de Nova Orleans, onde a jovem Miralee Smith (Dorothy Patrick) chega para realizar os planos de sua família de transformá-la numa estrela da música clássica. Miralee tinha muito talento para a ópera e logo consegue a cooperação de um experiente maestro da cidade, Henry Ferber (Richard Hageman), que aceita dirigir o concerto da moça. Mas apesar de sua devoção à música clássica, Miralee se encanta pelo estilo de música que sua empregada Endie (Billie Holliday) vive cantarolando e depois de muita insistência, Endie a leva para o subúrbio da cidade, no animado e mal falado distrito de Storyville, mais especificamente, à rua Basin. Conforme dito no filme, são 38 quadras de corrupção, poluição e degeneração - com um pouco de exagero, claro. Este submundo é onde se concentram casas de jogo, bares, prostíbulos e toda a sorte de pessoas, além concentrar boa parte da população negra.
Na rua Basin, Miralee encontra Nick Duquesne (Arturo de Cordova), jogador profissional que ela havia conhecido quando chegou na cidade. Não é difícil perceber que a moça rica se apaixona por Nick, assim como se apaixona pelo blues que Louis Satchmo Armstrong (interpretado pelo próprio) e sua Happy Dixie Band tocam, improvisando músicas com um excepcional talento. A partir de então, o filme segue um caminho bem clichê: a moça rica e bem nascida apaixonada pelo dono do cassino, o belo casal sofrendo preconceito, bem como o blues é discriminado pela alta sociedade e pelos músicos mais conservadores.
Do you know what it means to miss New Orleans
When that's where you left your heart
And there's one thing more...I miss the one I care for
More than I miss New Orleans
New Orleans (1947) é, por seu enredo,um filme bem básico. Uma história simples, sem muitas reviravoltas ou surpresas. No entanto, vale muito a pena assistir por se tratar de um filme sobre a origem do blues e do jazz estrelado por duas das maiores vozes desses estilos: Louis Armstrong e Billie Holliday. As vozes inesquecíveis dos dois embalam o filme em músicas que se tornaram conhecidas como Do you know what it means to miss New Orleans ou The blues are brewin, ou mesmo outras mais simples que não chamam tanto a atenção. E sim, a música é o maior destaque do filme. Digo isso porque o casal de protagonistas, Nick e Miralee, não tem carisma o suficiente para roubar a cena, e claro, porque a história é bem básica, nada de excepcional - o excepcional aqui é a música e quem a canta. "Afinal, Luís, presta ou não?" Presta, gente. Eu que sou chato mesmo.

Nota: 9,5/ 10 [graças à música]

Luís F. Passos

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Chico, o setentão

Fui apresentado ao nome Chico Buarque quando criança, não lembro bem em que ano, por ele estar ao lado de uns versos no meu livro de português. Era a letra de A banda, música que eu já conhecia, apesar de não saber quem era seu compositor. Ainda nesse ano, estava à toa na vida e no mesmo livro vi outra música, João e Maria, cujos batalhões, alemães e canhões me faziam rir ao mesmo tempo em que admirava a beleza da letra - que hoje é uma de minhas preferidas, e pra mim é o cúmulo da poesia; nem mesmo um poema é tão poético. O grande reencontro com Chico aconteceu anos depois, quando eu já era bem crescido e vivia procurando novos cantores e bandas pra ouvir, pois parecia que eu estava enjoando de todos. Dentre os escolhidos estava Chico, por alguns motivos como eu não conhecer nada de um cara tão famoso e importante e uma amiga de escola ser apaixonada por ele.  
Então lá fui eu atrás das músicas do cara. E começar com Construção é pra deixar qualquer um doido. Como uma música podia ser tão boa, tão bem trabalhada, tão rica? E ao longos dos meses fui conhecendo a obra musical de Chico e suas várias facetas. O político da Roda Viva, o trovador de Morena dos Olhos d'água, o amante de Tatuagem - destaque para os eu líricos femininos inesquecíveis -, o malandro de Mambembe, o sambista de Vai passar, entre outras. Um talento que se destaca desde a década de 60, nos festivais da Música Brasileira organizados pela Record, atravessando os duros anos da ditadura, vivendo no exílio na Itália (sempre produzindo; impossível não lembrar de Meu caro amigo) e exibindo habilidade na literatura e no teatro também.
Em 2010 Chico lançou seu último livro, Leite Derramado. Já falei sobre ele aqui, e também comentei que sabe Deus porque toda vez que via a capa lembrava de Olhos nos olhos e vinha à minha cabeça o "quando você me deixou, meu bem..." - não deve ter nada a ver, só doidice minha. O fato é que quando li gostei muito, os críticos também gostaram e o livro foi vencedor do prêmio Jabuti. Cheguei a ler outra obra dele, Estorvo, também muito boa. 
Já tem tempo que não leio nada de Chico, mas sempre tô ouvindo suas canções. A última paixonite é Cecília, simples mas de singular beleza. Além daquelas que são impossíveis de ficar muito tempo sem ouvir, como Carolina, Eu te amo, Olhos nos olhos, Samba do grande amor, Ela faz cinema, Geni e o zepelim, Atrás da porta (seja na voz de Chico ou de Elis), Cálice, Minha história, As vitrines, entre tantas outras. Ah, e Querido diário e Se eu soubesse, do cd lançado em 2011.
E hoje Chico faz 70 anos e o Brasil, além de muita gente mundo afora, comemora com ele e lhe deseja tudo o que é coisa boa e muitos anos de vida pra que ele continue enriquecendo nossa música, nossa literatura, nossa arte. Pra que o gênio, filho de um dos maiores intelectuais do século passado, continue cativando fãs com a austera simpatia, sorrisos contidos e a discrição condizente com um senhor tão elegante - e nas palavras de Maria Bethânia, o homem mais bonito do mundo. Parabéns, Chico.

Luís F. Passos

terça-feira, 16 de julho de 2013

2º Voziviolão Aracaju

Nesse último domingo aconteceu no Parque da Sementeira a segunda edição do evento Voziviolão, que reúne e divulga o trabalho de artistas autorais de Sergipe.
O encontro contou com as participações das bandas Pedro Confábulas e os Cosmonautas, Ferrerones, Fi Da Mãe, Folhetim e Kings And The Queen, além do lançamento do EP do cantor Alisson Coutto. 
Os repertórios contaram principalmente com as músicas autorais das bandas, mas também com covers de diversos artistas do rock/pop nacional e internacional e MPB, como Raul Seixas, Los Hermanos, Belchior, Capital Inicial, Muse, Foster The People etc. E no final o microfone ficou aberto para quem quisesse mostrar o seu trabalho.
A próxima edição do evento acontecerá em agosto, e os organizadores pretendem, além de música, acrescentar ao evento apresentações de esquetes e recitação de poemas.
Para saber mais sobre o Voziviolão (e até mesmo participar!) acesse a fanpage: www.facebook.com/voziviolao

Luciana Dinelli

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Piaf, um hino ao amor - a voz da França


Grande sucesso de 2007, a cinebiografia da cantora francesa Edith Piaf, considerada até hoje como a maior intérprete da música francesa, acompanha toda a trajetória de sua conturbada carreira e de sua vida agitada, passando por doenças, vícios, amores, separações trágicas, momentos de euforia, perdas e ganhos. Uma vida totalmente passional. 
Dessa forma, vemos a vida de Edith desde sua infância pobre tendo de conviver com uma mãe relapsa, um pai contorcionista e as gentis prostitutas do prostíbulo de sua avó, passando por sua juventude como cantora nas ruas de Paris, sua descoberta, ao acaso, por um importante nome da música francesa, seu treinamento de aprimoramento vocal, a construção da cantora Edith Piaf, substituindo a então conhecida como menina Piaf, cantora de cabarés e seu trágico fim, doente, fragilizada e incapacitada de fazer o que fazia sua vida valer a pena: cantar. 
Piaf, um hino ao amor (La vie en rose, 2007) não faz a construção da biografia da cantora de forma linear, mas sim, vai viajando entre diferentes fases de sua vida. O problema do filme é que a vida de Piaf foi muito movimentada. Muito mesmo. Então o roteiro não dá conta de mostrar tantos fatos e muitos acabam passando despercebidos ou não conseguem obter a atenção, por parte do filme como também dos espectadores, de sua real importância. Sua vida também foi muito sofrida. Muito mesmo. A quantidade de tragédias pessoais compõe uma lista imensa, e o filme faz questão de não nos poupar de nenhuma delas, tornando-se quase enfadonho. É tanto sofrimento seqüencial que chega a ser difícil acompanhar tudo e impossível de não sentir qualquer tipo de compaixão por Edith por trás do mito Piaf.
Não é um filme fantástico e está longe de ser impecável, mas numa coisa Piaf, um hino ao amor acerta em cheio: Marion Cotillard. Não poderia ter sido feita escolha melhor. A caracterização de Marion é extraordinária. Como ela interpreta Edith desde seus 20 anos até seus 50 (aproximadamente), quando faleceu aparentando ter bem mais de 70, a atriz é forçada a se transformar física e psicologicamente inúmeras vezes ao longo das pouco mais de duas horas do filme. E o faz brilhantemente. Certa vez vi uma crítica que dizia que “poucas vezes uma artista mergulhou tão fundo na alma de outro artista” e é verdade. Não vemos Marion, vemos Edith. Gestos, atitudes, a forma de cantar é tudo impecável. Quem vê Marion Cotillard dificilmente consegue ligá-la fisicamente a esta personagem, pois seu trabalho, bem como o de maquiagem e figurino a escondem totalmente para que só possamos ver Edith. Desta forma, o Oscar de melhor atriz de Marion Cotillard (por incrível que pareça, primeira atriz francesa a conseguir o prêmio) é totalmente justificável e louvável – o ideal seria um empate com Julie Christie por Longe dela, mas empates são bem raros na premiação da Academia.

Leia também:
Johnny e June
Meia-noite em Paris
O destino mudou sua vida

Lucas Moura

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Luiz Gonzaga - rei do baião, caboclo feliz

"Eu sou um caboclo feliz. Se eu nascesse de novo, eu queria ser o mesmo mané Luiz. Se eu nascesse de novo e pudesse escolher, mais do que eu sou não queria ser. Eu queria nascer na fazenda da Caiçara, lá em Exu, Pernambuco, bem na divisinha com o Ceará. É por isso que eu costumo dizer que uma banda minha é pernambucana e a outra banda é cearense. Quando eu ficasse taludinho assim eu queria logo comprar uma sanfona pra ajudar meu pai nos toque, lá nos forró. Eu queria era ser fio de Januário mesmo e de dona Santana! Mais do que eu sou não queria ser, não sinhô. Se eu nascesse de novo e pudesse escolher, rá!, quando chegasse 1930 eu entrava no colégio... 18 anos de idade... colégio do pobre é o Exército brasileiro; sentava praça. Haha! Fazia revolução como o diabo, não dava nem um tiro. Eita Brasil bom danado! Ah, eu queria ser o rei do baião, mas não era mole não, meu irmão. Quando eu chegasse no Rio em 39 eu ia tocar na zona violenta, da pesada, lá no mangue. Correndo pilo nos gringo. Queria ser tudo isso. Oxente, eu queria ser o rei do baião... até que uma certa noite chegasse lá assim um grupo de cearenses, diziam que eram universitários - sei lá o que era isso! - era estudante mesmo. Depois de me agradarem muito fizeram exigência: 'Olha caboclo, quando a gente voltar aqui outra vez nesse lugar, nós só damos dinheiro a você se você tocar um negócio lá daqueles pé-de-serra. Você não é sertanejo? Você não é da serra do Araripe?' Eu digo: sou. 'Tá feita a exigência'. Ai eu fiz uma recapitulação, organizei e fiz como entrei tocando aqui agora o vira e mexe. É, foi o primeiro! Quando os cearenses chegaram eu disse pra eles: olha, tenho um negocinho aqui pra empurrar em vocês! 'Então manda!' Lasquei brasa. 'É isso aí, caboclo!' Naquele tempo era caboclo, agora é bicho. 'É isso mesmo! Agora você pode até visitar nossa república'. Eu: diabo é isso? 'É uma república lá na Lapa, lá é que é pesada mesmo, só de cearense. E você tá convidado de ir lá tocar pra nós'. Eu fui, tava agradando. Fui conhecer a república dos cearenses. Quando eu cheguei lá era a maior bagunça do mundo. Já viu? República de estudante, ainda mais cearense (...) E se eu nascesse de novo e pudesse escolher, quando chegasse o dia... 24 hoje, né? 24 de março de 1972, a essa horinha mermim, 'cês querem saber onde que eu queria estar? Era aqui. Com vocês, no Teatro Tereza Raquel, enrolando vocês na conversa, contando essa história (...) vai boiadeiro que a noite já vem, pega o teu gado e vai pra junto do teu bem!"

(Trecho do cd "Luiz Gonzaga volta pra curtir", gravado em 1972 no Teatro Tereza Raquel, RJ)


Luís F. Passos

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Os Embalos de Sábado a noite - no embalo dos anos 70

Acompanhe a vida de Tony Manero (John Travolta), um jovem sem perspectivas, um trabalhador qualquer de uma loja de tintas, morador do Brooklin, que vive com uma família que o considera um fracasso e o deixa às sombras de seu irmão mais velho (que está para se tornar um padre), está sempre se esquivando de uma antiga namorada, Annete, que ainda é apaixonada por ele, e vive circulando pelas ruas da cidade junto com seu grupo de amigos desocupados e de moral duvidosa. Tony é um completo perdedor. Sua vida se transforma totalmente nas noites de sábado, quando ele é o rei da discoteca 2001. Lá, homens o admiram, mulheres o desejam e ele é o melhor dançarino de todos. A pista de dança é o seu templo, onde ele se sente realizado e respeitado. Sua vida começa a mudar quando ele conhece a bela Stephanie (aparentemente mais madura e equilibrada que Tony), por qual sente uma atração física e em quem vê uma parceira ideal para a dança, afinal, a grande competição de dança da 2001 está próxima e ele, como atual vencedor, deve defender seu título.
Basicamente é isso. É, o filme não tem muita história mesmo. Na verdade, o que ele tem mesmo é dança. Dança, dança, e mais dança. Grandes hits de sucesso da música disco dos anos 70 são tocados (quase sem parar ao longo do filme). Temos também inúmeras referências pop, que vão desde pôsteres de Al Pacino, Rocky Balboa e Bruce Lee no quarto de Tony ao figurino, que era o auge da moda na época com aquelas golas enormes e calças boca-de-sino passando pelo nome da boate (referência ao filme de Kubrick) e pelos penteados mirabolantes.
É um filme icônico de uma época. Acompanha a vida de uma determinada geração, seus comportamentos e suas dúvidas e eleva o fenômeno disco a níveis mundiais. Claro que quem se sai melhor em Os embalos de sábado a noite (Saturday night fever, 1977) é o próprio John Travolta (por mais incrível que pareça, indicado ao Oscar de melhor ator por este filme). Travolta deixou de ser um jovem ator bonito e promissor e passou a ser um ator respeitado, um símbolo sexual da década e uma celebridade mundialmente conhecida ao canalizar parte do espírito jovem de sua época na figura emblemática de Tony. Além disso, alguns passos de dança que ele realiza ao longo da história são imitados até hoje por reles mortais em qualquer boate.
Os embalos de sábado a noite é até bacana de conferir. Mas deve se admitir que a história em si é bem fraquinha e os dilemas mais complexos de Tony são quase ofuscados pela overdose das músicas de Bee Gees e etc. (também devo confessar que já estava ficando tonto com tanto neon).

Lucas Moura

domingo, 30 de setembro de 2012

O Brega - Fogo e paixão

Amor, desamor, traição, bebedeira e prostituição. Esse é o universo do brega. Um estilo musical tão maltratado e injustiçado. Estilo que fala de fatos da vida tão comuns. E como só viver a vida não basta. Tem que vir um corno e cantar seu sofrimento pra servir de trilha sonora no boteco mais próximo. Talvez como forma de fugir do sentimento ou de desabafar. E é desse universo que eu vou me atrever a falar.
Amor e desamor. Sentimentos que fazem parte da vida de qualquer um. Mas que podem ser tratados de formas diferentes. No brega eles não são requintados. São simples. São cantados para pessoas simples: pedreiros, cobradores e pro garçom do bar da esquina. Talvez a diferença entre o desamor de Atrás da Porta de Chico e o de Pecado de Amor de Pablo é o publico alvo. Mas é o mesmo sofrimento cantado de maneiras diferentes. Pois no brega uma mulher nunca vai fazer cinema, mas provavelmente  vai ser a secretária com quem o cara trabalha todo dia.
Traição e bebedeira. Digamos que a parte mais peculiar do universo brega. E como a maior característica desse estilo é falar do cotidiano das pessoas mais simples, nada mais normal que falar do chifre e do porre tomado por alguém.  Uma mulher que vai ver outro rapaz sempre que o seu namorado sai e que provavelmente vai traí-lo em plena lua mel. Um cara que grita pro garçom: “Traga mais uma garrafa que hoje eu vou me embriagar...”. Pois a “dama de vermelho” que ele ama, já não é mais dele e o pobre coitado morre de ciúmes e não aguentaria vê-la dançar com outro. São historias simples e tão humanas como essas que servem de inspiração a essa fatia do brega. E nada melhor  que um bom porre pra esquecer a gaia levada. Pois pra matar a tristeza só mesa de bar...
Prostituição. Uma palavra que vive rodeando o imaginário masculino. E que não poderia ficar fora de uma coisa tão humana como o brega. São musicas que contam histórias como a do homem que doente de amor vai procurar remédio na vida noturna com uma “flor da noite” da Boate Azul. Outra que consegue misturar amor com uma essa palavra que parece ser despida de sentimentos. Como quando um cara se apaixona por uma prostituta que ele conheceu no cabaré e decidi tira-la daquele lugar.  E convenhamos, quase nada consegue ser mais brega que um cabaré.
Portanto, caros leitores, todos vocês são bregas. Amam. Sofrem por amor. Alguns traem. Outros ainda bebem quando estão sofrendo. Então parem de criticar o Brega só porque alguém disse que não presta e vivam o lado brega da vida kkkkk

Jorge Henrique

domingo, 26 de agosto de 2012

Vinícius de Moraes - Como dizia o poeta...

Vinicius de Moraes foi um professor. Não das matérias que costumam atormentar os alunos, mas sim da vida que teima em atormentar qualquer um. Poucos artistas cantaram a vida com tanta liberdade, sensibilidade e prazer. Talvez o Poetinha, como foi carinhosamente apelidado, quis nos ensinar que fomos feitos para viver, ou seja, para amar e sofrer, sorrir e chorar, estar e beber com os amigos. E foram suas amizades que marcaram a sua música.
Vinicius tinha horror a solidão, vivia rodeado de companheiros. Para ele o ser humano era irresistível e a maior covardia de um homem era se recusar a participar da vida. Por isso suas musicas são frutos de diversas parcerias. Da maior delas, com Tom Jobim, nasceu a Bossa Nova e talvez as melhores músicas do poeta que se desligou da sua poesia clássica de influencia francesa para se aproximar do samba. Foi em 1958 que ele e Jobim lançaram o disco Canção do Amor Demais. Algo completamente novo.  Com letra, musica e canto inigualáveis, contando ainda com o violão de João Gilberto. Neste estavam incluídas musicas como Chega de Saudade, Outra Vez e Eu não Existo sem Você. Era poesia na música, falando de coisas tão comuns com elegância, sensibilidade e com palavras que ninguém acreditava mais em dizer. E talvez só um boêmio que nem o Poetinha, que se casou 9 vezes e que amava amar as mulheres, para falar daquele jeito.
Era um ateu, mas tinha fascinação pelos mistérios do Candomblé e da cultura negra. Chegou a morar na Bahia em Itapoã, onde compôs com Toquinho a doce “Tarde em Itapoã”. Mas foi com Baden Powell que o “branco mais preto do Brasil”, como o próprio se intitulou, conseguiu transparecer o seu lado africano. Junto com seu novo parceiro criou os Afro-sambas: um desenvolvimento da Bossa Nova com um tempero de Candomblé, música negra e Jazz. Dessa parceria nasceram clássicos como Berimbau, Canto de Ossanha e Pra que Chorar?. A última dessas nasceu em uma internação de Vinicius em uma clinica de reabilitação para alcoólatras, presente do seu maior amigo, o uísque. Segundo ele, “o maior amigo do homem, o cachorro engarrafado”.
Vinicius teve diversos parceiros: Carlos Lyra, Pixinguinha, Edu Lobo, Chico Buarque, entre alguns outros já citados. Entretanto a sua última maior parceria foi com Toquinho. Com ele, o Poetinha conseguiu ser lúdico, ingênuo e falar com doçura da vida.  Do encontro dos dois surgiram musicas como Tarde em Itapoã, Testamento, Regra Três, A Tonga da Mironga do Kabuletê e Aquarela. A parceria durou nada menos que 11 anos, resultando em diversas apresentações, levando a poesia de Vinicius ao redor do mundo em várias turnês. Foi dessa união que surgiu “A Arca de Noé”: um disco de poemas infantis do nosso poeta, musicado por Toquinho. E foi ao lado desse seu amigo, em 9 de julho de 1980, que Vinicius de Moraes nos deixou.
Sinceramente, acredito que a vida seja uma invenção. Que ela pode ser do jeito que cada um enxerga. E o Poetinha era daquele tipo de pessoa que botava a vida pra cima. Talvez por isso minha fascinação por ele... 

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Odeio me apresentar. Mas me foi pedido que fizesse isso... Minha mãe decidiu me chamar de Jorge Henrique dos Santos. Tenho vários vícios. Alguns deles saudáveis, outros nem tanto. Curso Engenharia Eletrica na UFCG, ou seja, sou um universitário morando fora de casa.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Our day will come - um ano sem Amy

Parece que foi ontem... mas já faz um ano que cheguei em casa e ao parar em frente à TV vi a notícía. Amy Winehouse havia sido encontrada morta em seu quarto. A causa? Obviamente, a primeira suspeita foi overdose. Meses depois foi contastado que o problema é que Amy havia bebido demais, depois de meses sem tocar em álcool (é por isso que eu digo, beber tem que ser constante).
As homenagens a cantora foram diversas, desde fãs que deixaram garrafas de bebidas nos muros de sua casa em Londres (???) até tributos como o da cantora Adele, que incluiu uma música em seu DVD porque, segundo ela, era um das preferidas de Amy. Vale lembrar também da apresentação de Bruno Mars no VMA cantando Valerie - por pior que ele seja, fez jus ao talento da cantora inglesa.
Em dezembro foi lançado o álbum Lioness: Hidden Treasures, com doze faixas inéditas, sendo algumas partes do cd que a cantora gravaria, e outras gravações antigas de Amy tiradas do baú, como Our day will come e The girl from Ipanema. Para promover o disco, foi feito um clipe para Our day will come, muito bonito. Além do CD, tem também o DVD Amy Winehouse - The Final Goodbye, com cenas dos bastidores de shows e mostra muita coisa da vida de Amy, a ascenção, a fama, os escândalos e a morte prematura. Mais fiel ainda é o livro lançado por seu pai, Mitch Winehouse, Amy, my daughter. Infelizmente não há previsão de quando o livro chegará ao Brasil. Inclusive Mitch, que era a pessoa mais próxima a Amy, é o principal responsável pela criação da Amy Winehouse Foudation, cujo objetivo é ajudar jovens envolvidos com álcool e drogas.
Sobre Our day will come: é um reggae dos anos 60 que ganhou dezenas de regravações em diversos estilos; a versão de Amy foi gravada em 2002. A letra é bem otimista, fala sobre um dia em que a felicidade será plena ("no tears for us/ think love/ and wear smile"); o problema é que o dia Amy chegou cedo demais, deixando um vazio imenso na música. Quando teremos alguém igual a ela? Sabe Deus (nem venham me dizer que é Adele, as diferenças são muito grandes). As imagens que formam o clipe abaixo só aumentam a saudade.


(com saudade,)
Luís F. Passos

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Chico Buarque e Edu Lobo - Valsa brasileira

Impressionante como uma pessoa que passa o dia no computador consegue ser tão mal informada. Bem, sou eu. Ontem foi aniversário de Chico Buarque; o gênio paulista de nascimento e carioca de coração fez 68 anos (me perdoe, Chico, mas aparentando mais). Claro que a data exigia uma homenagem decente, como um post, mas na ausência deste, deixo um vídeo de Chico ao lado de seu parceiro, o também cantor e compositor Edu Lobo. Música bonita, grande interpretação.






Luís F. Passos

domingo, 10 de junho de 2012

Moon river

A cena é uma das mais conhecidas do cinema. A atriz, um ícone de beleza. A música, o cúmulo do forever alone. Moon river é a música tema de Bonequinha de luxo, de 1962. Cantada pela personagem de Audrey Herpburn na janela do banheiro, e tocada algumas outras vezes durante o filme, é responsável pelos dois Oscars levados pelo longa: Melhor canção e Melhor trilha sonora de filme dramático ou comédia (categoria atualmente extinta).
Enfim, essa é a prévia da próxima postagem, o filme Bonequinha de luxo.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Caetano Veloso - Cucurrucu Paloma

O fato é que são tempos difíceis para os universitários, e tá bem difícil achar um tempo pra escrever, mas assim que o tiver, quero falar de algum filme do grande Pedro Almodóvar, diretor espanhol. Vi poucos filmes dele, mas gostei de todos, principalmente de Fale com ela (Hable con ella, 2002), considerado por muitos seu melhor filme. E uma das melhores cenas o filme é logo no começo, numa festa numa casa de campo, em que Caetano Veloso faz uma participação mais que especial cantando Cucurrucu Paloma, uma música bem triste mas muito bonita (combina muito com o filme). Deixo aqui o vídeo e a promessa de um futuro post.


terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Ana Carolina - Cantinho

Sabe a sensação quando você vai comprar um cd e lê que ele não é indicado pra menores de 18 anos? "Mas o que diabos tem nesse disco? É o audiobook do Kama Sutra???" Foi isso o que pensei quando comprei Dois quartos, de Ana Carolina, há uns anos atrás. Muito bom, por sinal: cd duplo (cd1: Quarto, cd2: Quartinho) que tinha algumas bem conhecidas graças às novelas da Globo, como Carvão e Ruas de outono. E também umas músicas que deixam o álbum,digamos, mais tenso: Cantinho, Eu comi a Madonna, 1.100, etc.
Assim como o cd, o dvd Dois quartos também é ótimo, com uns arranjos bem legais das músicas do cd e também utras músicas mais antigas e conhecidas, como Uma louca tempestade e Quem de nós dois. Ah, ouve aí Cantinho:



sábado, 31 de dezembro de 2011

2011, e perdemos Amy

Em 23 de julho desse ano uma notícia chamou a atenção do planeta, e parou o mundo da música: a morte precoce da cantora Amy Winehouse. Amy foi encontrada morta em seu quarto por um segurança. A cantora tinha apenas 27 anos e entrou, assim, para o "Clube dos 27", uma lista de grandes artistas que faleceram aos 27 anos, como Jimi Hendrix, Jim Morrison e Janis Joplin.
Um último presente aos fãs: o cd Amy Winehouse - Lioness: Hidden Treasures, que traz músicas inéditas e versões de clássicos gravadas pela saudosa inglesa. Uma que muita gente já conhece é Body and soul, que Amy gravou com Tony Bennett para compor o disco Tony Bennett: Duets II, cujo clipe coloco abaixo.

domingo, 20 de novembro de 2011

Tony Bennett & Lady Gaga - The lady is a tramp

Bem, eu não gosto da Lady Gaga, mas essa parceria dela com Tony Bennett deu muito certo. Aliás, todas as parcerias de Bennett no seu novo cd deram certo. Tony é um famoso cantor de jazz que nesse ano, completando 85 anos de idade, lançou um cd só com duetos. Entre as parcerias estão Alejandro Sanz, Andrea Bocelli e nossa saudosa Amy Winehouse, com quem canta Body and soul, um clássico dos anos 30 que se tornou clássico definitivamente nas vozes marcantes de Amy e Bennet.
Body and soul é linda, mas decidi postar The lady is a tramp porque também ficou ótima, tanto a música quanto o clipe, em que Gaga parece botar medo no velhinho.
Ah, o nome do cd é Tony Bennett: Duets II.



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Adele - Someone like you

Adivinha quem tá em semana de provas de novo? Mas pra não deixar essa semana passar em branco, uma música pra animar.