sábado, 24 de agosto de 2013

A menina que roubava livros - futuro clássico

Tem livros que pegam a gente de jeito, num forte impacto. Alguns pela beleza, outros pela acidez, outros pela violência. Independente do gênero, muitos livros têm a capacidade de prender o leitor durante o tempo de leitura e de ficar em sua mente enquanto não está lendo ou depois que a leitura é finalizada. Não sei se tenho a sorte de encontrar livros assim ou se sou facilmente conquistado, mas o fato é que já me deparei com muitos dotados de tal habilidade (livros ou autores de tal habilidade?). Dentre eles, um no qual eu penso com especial carinho é A menina que roubava livros, futuro clássico da literatura internacional - digo isso baseado em alguns motivos que listarei abaixo, entre eles a impressionante popularidade alcançada, demonstrada nas muitas semanas consecutivas em que ficou nas listas de mais vendidos; aqui no Brasil foram quase dois anos entre os maiores sucessos de venda.
Se há pessoas que compram livros pela capa - e sim, há muitas - A menina que roubava livros já leva uma boa vantagem sobre seus concorrentes. Como não gostar da capa em que uma figura sob um guarda-chuva caminha na neve, e da contra-capa com a frase "Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler"? Muito bacana. E sim, essa é uma história contada pela Morte. A dama mais temida pelos homens é a narradora que nos conduz através das mais de quatrocentas e cinquenta páginas da história de uma menina alemã que, assim como milhões de outras, teve a infelicidade de viver durante o regime nazista e a 2ª Guerra Mundial, e foi nessa época que teve dois dos três encontros com a narradora de sua vida. Seu nome, Liesel Meminger. No início do livros conhecemos a menina, seu irmão e sua mãe, que são toda a sua família; e se já não parece muita coisa, mal começa  a descrição deles e é revelado que seu irmão está morto. A mãe então a deixa com um pobre casal da cidade de Molching, próximo a Munique. Rosa e Hans Hubermann são, respectivamente, dona de casa e pintor de paredes, e Rosa lava roupa para fora para ajudar na renda doméstica. Aparentemente, têm comportamento muito diferente; enquanto Hans fala baixo, é gentil e evita confusões, Rosa vive gritando, tem a boca cheia de palavras começadas por saus (porco em alemão, e nenhuma delas quer dizer boa coisa) e é adepta da boa e velha palmada - na verdade, vale qualquer coisa que estiver ao alcance de sua mão.
Liesel logo vai se acostumando à vida em Molching, aos vizinhos, especialmente o pequeno Rudy Steiner, que apesar das típicas diferenças entre meninos e meninas se torna seu melhor amigo, e às atividades da Juventude Hitlerista, à qual a menina tem de se unir. E em meio a suas atividades, brincadeiras e ajuda que prestava à mãe adotiva com as entregas, Liesel se dedica a uma paixão: livros. Mas uma menina pobre, que chegara à Molching analfabeta, obviamente não os tinha. Acontece que no enterro de seu irmão a pequena vira que o coveiro deixara cair um pequeno livro chamado O manual do coveiro e discretamente o pegou e guardou para si. O segundo, meses depois, fora tirado de uma enorme fogueira ("alemães adoram fogueiras!") em que os nazistas queimaram livros considerados perigosos. Ao longo da história, outros exemplares se somam à pequena coleção de Liesel, assim como acontecimentos interessantes vão lhe acontecendo. A chegada de um inesperado amigo e suas consequências, além de todas as experiências que uma guerra e o furto de livros pode proporcionar. Fui vago? Talvez. Me defendo com o argumento de que já faz cinco anos que li A menina que roubava livros (The book thief, 2005) e não tive a oportunidade de relê-lo - mas assim que o filme sair, estarei no cinema. Lembro que na época o livro já era um enorme sucesso, e que estava na lista de livros mais vendidos há dezenas de semanas, e sempre entre os cinco primeiros. Não é difícil ver o motivo. Markus Zusak, escritor australiano que eu admiro muito, é um exímio narrador, dono de um texto muito fluido e que atrai como poucos o leitor. Ele sabe dosar muito bem humor e momentos tristes no enredo comovente que, apesar de ser ambientado na 2ª Guerra, não é nem um pouco clichê ou apelativo. A emoção aqui é pura como a criança que temos como protagonista. E por falar em apelativo, me perdoem os fãs de O menino do pijama listrado, mas esse aqui dá uma surra no livro de John Boyne.

Nota: 10

Leia também:
A cidade do sol
Eu sou o mensageiro

Luís F. Passos

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Também já o recomendei para muita gente, Jaini! Acho que ele é meu preferido entre livros contemporâneos, é impressionante como Zusak consegue colocar o leitor dentro de cada cena, e faz a gente ver tudo pelo ponto de vista que ele propõe, assim como você disse. E não se preocupe, também escrevi como um apaixonado haha.

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