segunda-feira, 18 de junho de 2012

Recordações do escrivão Isaías Caminha

Com o anseio pela crítica social, Afonso Henriques de Lima Barreto lançou no ano de 1909 o seu primeiro romance Recordações do escrivão Isaías Caminha (que já havia sido publicado dois anos antes na revista de sua autoria, a Floreal). O escritor nascido na cidade do Rio de Janeiro transportou sua visão crítica ao seu livro dando-o um cunho de reflexão social, fato que abalou os meios literários da época.
O criticismo ferrenho de Lima Barreto era constante em suas obras, e assim foi em Recordações do escrivão Isaías Caminha aonde trata de uma história que se confunde bastante com a própria enquanto mulato discriminado e jornalista. É decorrido em quatorze capítulos o destino do protagonista que dá nome a obra, a partir de sua infância em um ambiente familiar incomum – nascido da quebra do voto de castidade de um missionário branco com uma negra humilde – até sua conquista do cargo de escrivão após muitas dificuldades. Não se limitou a tecer comentários apenas sobre a penosa vida de um mestiço, mas foi além e discorreu sobre a urbanização desordenada do Rio de Janeiro, a atração do serviço público, o jogo de influências políticas e midiáticas e a tendência patética do povo brasileiro em reproduzir em suas terras o estilo das cidades europeias.
Assim como nas recordações de Isaías Caminha, seu autor não encontrou o estrelato que esperava no decorrer de sua trajetória. O personagem dividia-se entre o sonho de intitular-se “doutor” e a descrença de que conseguiria por ser mulato. Perante diversas dificuldades e discriminações, ora veladas, ora não, Caminha termina a sua jornada alçando uma boa carreira em órgão público com seu trabalho e conduta exemplares, entretanto não se realiza como “doutor”. Criação e criador se esbarram nesse ponto: apesar de edificarem certa importância social, a vaidade intelectual fazia-os ansiar por maior destaque.
Lima Barreto morreu em decadência após longo abuso de álcool aos 41 anos, o que pareciam bem mais devido ao envelhecimento precoce e o enfraquecimento do corpo. Enquanto vivo não parou de escrever, contribuindo sempre com os periódicos ou trancando-se em sua casa à rua Major Mascarenhas, onde morou por mais de vinte anos até a data de sua morte, para produzir novas narrativas. Dentre suas obras mais famosas encontram-se títulos como Triste fim de Policarpo Quaresma (1911), Numa e a Ninfa (1915), Clara dos Anjos (1922), Vida e morte de M. J. Gonzaga de Sá (1919) e, é claro, Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909).
É uma pena que o ficcionista não tenha encontrado amparo ainda vivo entre os escritores de seu tempo. A negligência da gramática em seus textos, a linguagem coloquial e alguns temas ultrajantes levaram o seu nome a ser repudiado por poetas, escritores e críticos da época. Até mesmo o seu primeiro romance foi recebido com silêncio pela roda literária do Rio de Janeiro, o que ia de encontro com sua intenção de gerar polêmica. Diante dessa marginalização passou a não se considerar um literato, apesar de viver apenas da sua literatura. 
Ao falar com o povo sobre os problemas do povo, Lima Barreto incomodou aqueles que anunciavam como a sociedade deveria ser. Se nos tempos da Primeira República apontar os preconceitos e as discriminações, a manipulação da mídia e o sedentarismo público ou político era rebeldia, hoje em dia não se tornou mais fácil ser ouvido. 
A leitura de Recordações do escrivão Isaías Caminha então é um lúcido desabafo, sua trama poderia se confundir com a de milhares de brasileiros e permanece atual. A escolha da sátira como forma de escrever deixa a estória mais leve, escarnecendo até o limite do ridículo as caricaturas e os seus vícios em uma comunidade de aparências.

Guilherme Patterson

domingo, 17 de junho de 2012

O tempo e o Vento - O Retrato

O Continente, primeira parte da trilogia O Tempo e o Vento, termina com o fim da Revolução Federalista de 1895. Na época os filhos de Licurgo Cambará, Toríbio e Rodrigo, são crianças. Na continuação, O Retrato, também dividido em dois volumes, os dois já são adultos.
A história começa com a volta de Rodrigo a Santa Fé, depois de se formar em medicina na capital Porto Alegre. As coisas na cidade estavam bem diferentes: a população aumentara, o telefone e a ferrovia haviam chegado, e velhas figuras da cidade como dona Bibiana e o padre Romano estavam mortos. Rodrigo volta a sua terra natal entusiasmado com a carreira médica e decidido a levar a Santa Fé as maravilhas da cidade grande. Mas essa figura do "novo gaúcho" encarnada em Rodrigo esbarra no pai, típico "velho gaúcho". Licurgo concluiu seus estudos, mas dá muito mais valor ao trabalho no campo do que às ciências médicas e humanas que tanto encantam seu filho. Por isso, logo na chegada de Rodrigo, ele afirma que o rapaz desperdiçava dinheiro com "inutilidades": discos de vinil, livros, champanhe e inúmeras comidas estrangeiras como caviar. Entre o conservador Licurgo e o inovador Rodrigo está Toríbio, que apesar de gostar de muitas das ideias e manias do irmão, é mais parecido com o pai, tanto que prefere passar o tempo na estância da família.
Depois de abrir seu consultório e uma farmácia na cidade, Rodrigo vai deixando sua marca em Santa Fé. Generoso a ponto de não cobrar consultas e remédios aos mais pobres, ganha o respeito do povo, mas o ódio  de alguns poderosos da região, como o prefeito Titi Trindade . Rodrigo começa a oferecer jantares e saraus em sua casa, reunindo pessoas ilustres como o padre Astolfo, o coronel do exército Jairo Bittencourt, além de seus velhos amigos e o pintor anarquista Pepe García. Pepe tem um papel chave no livro: é ele quem pinta o retrato de Rodrigo, dedicando-se de corpo e alma ao trabalho e tendo um resultado excelente - o retrato ficou famoso em Santa Fé, e as pessoas chegavam a dizer que a pintura só faltava falar para ser o próprio Rodrigo.
Assim como O Continente, O Retrato mistura ficção com fatos históricos, no caso, uma parte da República Velha, entre as décadas de 1910 e 1920. Rodrigo e sua família são contrários ao governo do Marechal Hermes da Fonseca, e o jovem médico era partidário de Rui Barbosa, principal inimigo político da política do café-com-leite. Rodrigo exaltava as qualidades do diplomata, homem culto e de prestígio internacional. Os Cambará também se envolvem com o senador Pinheiro Machado, o político mais poderoso da época no país, a quem a família era contrária, o que muda após uma visita do senador a Santa Fé.
A figura central de O Retrato é Rodrigo Terra Cambará. E é a pintura deste, feita por Pepe, que dá nome ao livro por um importante motivo: temos aqui uma espécie de O retrato de Dorian Gray às avessas. No livro de Oscar Wilde um jovem consegue beleza eterna enquanto que seu retrato vai se tornando feio e devastado, refletindo sua alma corrompida. Já no romance brasileiro, o retrato serve de comparação com a moral de Rodrigo, que mesmo depois de casado continua mulherengo, apronta todas com qualquer uma que esteja disposta a deitar com ele, e se torna vaidoso. Enquanto o Retrato permanece incrível, a honra de Rodrigo vai se sujando cada vez mais.
O Retrato prepara o leitor para a última e mais extensa parte da trilogia O Tempo e o Vento, O Arquipélago (dividido em três volumes). Aqui temos o começo da vida adulta de Rodrigo, seus ideais inovadores, sua bondade, suas aventuras amorosas e seu casamento com Flora. Fica marcada a semelhança que o rapaz tem com seu xará e bisavô, o inesquecível capitão Rodrigo Cambará. Os dois volumes de O Retrato são divididos em três partes; a primeira e a última se passam quando Rodrigo está velho, já a segunda é a que eu narrei acima. Interessante que ela se chama O Chantecler, título de uma ópera em que um galo acha que o sol nasce todos os dias porque ele canta para isso - e descobre que não é verdade quando acorda tarde e o dia já havia começado. E por quê isso é interessante? Só lendo pra saber. Recomendo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Branca de Neve e o caçador - nova versão do clássico infantil


A história todo mundo conhece. Todo mundo meeeesmo! Branca de neve e os sete anões é uma das principais histórias infantis. Depois que, em 1939, a Disney escolheu esse conto para lançar sua primeira animação em longa metragem, a popularidade da história só fez aumentar e aumentar. 
Todo mundo sabe, também, que esses contos de fadas não são tão inocentes quanto parecem. Quando crianças, não nos damos conta exatamente de tudo o que está acontecendo e vários fatos acabam passando despercebidos. Contos de fada são histórias infantis, de fato, mas não são tão ingênuas assim. São repletas de traição, violência, sedução, ódio, vingança e por aí vai. Sendo assim, não são tão bobinhas quanto parecem.

A moda do momento é justamente recriar essas histórias, dando a tonalidade mais séria que elas possuem e que foram, por muito tempo, disfarçadas. Sendo assim, não são exatamente filmes para crianças.
Com Branca de Neve e o caçador não é diferente. Aqui temos a história clássica da menininha, branca como a neve e de lábios vermelhos como sangue, que tem que fugir de uma rainha feiticeira que faz de tudo pelo poder e pela juventude e beleza eternas, tendo a ajuda dos clássicos sete anões, da natureza em si, do príncipe William e do coitado do caçador. Então, é basicamente isso, porém, de um ponto de vista diferencial. O visual do filme é muito mais sério, a história é bem mais violenta e em vez de um ar infantil ele possui um ar meio sombrio. Se formos analisar a história de Branca de neve e os sete anões, dá pra ver que tem sequências que são praticamente de terror infantil, até mesmo no filme da Disney com aquelas paradas bizarras de “traga o coração dela” e da floresta assassina e da rainha descontrolada. Em Branca de Neve e o caçador há uma tentativa de intensificar ainda mais esse lado “dark” da história. Não dá muito certo porque não tem como alguém se assustar com aquilo, pelo menos não a grande maioria do público alvo do longa. Talvez crianças possam ficar meio tensas com algumas partes, mas nada fora do normal.
O filme traz algumas novidades na história (não tem graça contar) mas não esperem ver a mesma coisa do filme de Walt Disney com a rainha má morrendo por cair de um penhasco. Não só a rainha má é muito diferente. Todas as personagens o são. A Branca de Neve não é tão passiva e inocente assim, aqui ela luta e muito para sobreviver e tomar seu lugar, literalmente liderando as massas. O príncipe encantado, William, e o caçador também são diferentes da história a qual estamos acostumados, sem falar na rainha que ganhou uma complexidade muito maior. 
Grande mérito do filme: efeitos. Curti muito os efeitos, são muito bem feitos. Se as cenas que eram pra ser mais...assustadoras não dão certo, são válidas por causa dos efeitos especiais muito legais. O filme também tem muito de ação. Com sequências, inclusive, no maior estilo “batalha épica”, com espadas, arcos e flechas, armaduras, cavalaria e tudo que o gênero tem direito.
Kristen Stewart (sim, ela mesmo) lidera o elenco como a protagonista. Não sou nenhum fã da atriz, mas acho que ela merece uma chance. Não dá pra medir talento de ator nenhum com aquela saga tosca onde ela parece que vai dormir de tédio a cada cena. Em Branca, ela já está melhor. Sendo assim...veremos no que vai dar a carreira da atriz. Chris Hemsworth é o Caçador e eu não vejo nada demais nele. Nem aqui nem como Thor. Por fim, mas não menos importante, Charlize Theron é a rainha maléfica e bizarra. Essa sim é uma atriz de verdade. Ok, não é das melhores coisas que ela fez, mas dá pra levar – assim como o filme em si.

por Lucas Moura


Obs: para pessoas com a mente bem fértil e maldosa, o filme pode ser hilário. Eu, por exemplo, tive boas crises de riso. (Luis F. Passos)

terça-feira, 12 de junho de 2012

Bonequinha de luxo - Audrey, o gato e um clássico

Manhattan, 5 horas da manhã. Um táxi percorre a 5ª Avenida até parar na esquina com a rua 57, sede da joalheria Tiffany & Co. Do táxi desce uma mulher muito elegante, que vai até a vitrine e começa a tomar um copo de café. A mulher é Holly Golightly, acompanhante de luxo decidida a se casar com um milionário e se tornar atriz em Hollywood. Holly vive de festa em festa enchendo a cara e ganhando 50 dólares dos homens para ir ao toalete - mas só isso, e se alguém tentar passar disso, ela sai correndo. Num pequeno apartamento, ela mora com um gato sem nome - segundo ela, porque o gato não pertence a ela, e no mundo ninguém pertence a ninguém. Holly vive perdendo as suas chaves e atormentando seu vizinho, o fotógrafo japonês Yunioshi, que jura que um dia ainda prenderia a sua jovem vizinha.
O pontapé inicial do filme é a chegada de Paul Varjak ao prédio em que Holly mora. Escritor malsucedido, Paul vive às custas de sua amante milionária. Paul e Holly se conhecem e logo se tornam amigos; a moça fica fascinada com a semelhança entre seu irmão mais novo, Fred, e o escritor. Um dia depois de Paul se mudar, Holly oferece uma festa, e ele passa a conhecê-la melhor. A festa é uma coisa de louco - e a cena mais engraçada do filme, regada a muita bebida e com pessoas nada normais. Nessa festa Paul conhece O.J. Berman, velho amigo de Holly, que conta sua história, desde que ela saiu do interior e foi até a Califórnia, e depois a Nova York. O ponto alto da festa é a chegada da modelo Meg Wildwood, que leva com ela o milionário Rusty Trawler e um certo José da Silva Pereira, brasileiro que está em Nova York para aprender sobre a cultura norte-americana.
Holly não conseguiu nada com Trawler, mas descobriu que José era um fazendeiro muito rico, e os dois começam um romance. Paralelamente, aparece na cidade um tal Dr. Golightly, que revela a Paul ser o marido de Holly e tenta levá-la de volta para casa. Holly  diz ainda amá-lo, mas com um amor fraterno, e ele volta ao Texas sozinho. Paul observa tudo como um bom amigo, mas seus sentimentos por Holly passam de uma simples amizade; mas a paixão despertada no escritor esbarra nos interesses da desajuizada bonequinha de luxo.
Bonequinha de luxo (Breakfast at Tiffany's, 1961) é baseado no livro homônimo de Truman Capote. No livro, Holly é uma prostituta. Ao vender sua história para o cinema, Capote desejou que Marilyn Monroe fizesse o papel de Holly, mas a loira recusou porque fazer uma prostituta não seria bom para sua imagem. A escolhida então foi Audrey Hepburn, o que exigiu uma mudança na personagem principal, que passou a ser apenas uma moça sem muito juízo, já que era inconcebível a ideia de Audrey interpretando uma prostituta. Além disso, um filme com prostituição seria vetado pela censura do governo (claro que se Marilyn Monroe fosse a intérprete, o governo faria vistas grossas). Mas atualmente a ideia de uma Holly que não fosse Audrey Hepburn é no mínimo impensável. A atriz belga conseguiu dar à personagem ingenuidade e carisma que conquistam qualquer um que veja o filme.
Aliás, Bonequinha é inteiramente Holly. Não só por ser a protagonista e estar em 90% do filme, mas  por ser tão complexa em uma história relativamente simples. A moça que parece ser apenas uma vida louca ou uma caça milionários na verdade é uma pessoa que vive em conflito consigo mesma e com seu passado, numa busca por um lugar/ alguém que a faça feliz (a cena do Moon river reflete bem isso). São essas características que fazem do filme um clássico, e um dos mais queridos de Hollywood. Claro que o charme e tom comédia também pesam para o sucesso do filme. Isso porque excetuando Holly e suas ações, o longa é meio simples, mas sem perder a qualidade. Outro motivo de sua notoriedade é que ele é um filme romântico original e muito bom - o que não temos visto muito nas últimas décadas.


domingo, 10 de junho de 2012

Moon river

A cena é uma das mais conhecidas do cinema. A atriz, um ícone de beleza. A música, o cúmulo do forever alone. Moon river é a música tema de Bonequinha de luxo, de 1962. Cantada pela personagem de Audrey Herpburn na janela do banheiro, e tocada algumas outras vezes durante o filme, é responsável pelos dois Oscars levados pelo longa: Melhor canção e Melhor trilha sonora de filme dramático ou comédia (categoria atualmente extinta).
Enfim, essa é a prévia da próxima postagem, o filme Bonequinha de luxo.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

O outro lado da meia-noite - o melhor de Sidney Sheldon

Aos 17 anos a jovem Noelle Page já era a mulher mais linda de Marselha, no sul da França. Filha de pescador, ela cresceu perto do cais, em meio à pobreza e a homens que passavam metade da vida no mar. Apesar da sua difícil realidade, Noelle se sentia uma princesa, admirada e invejada por todos. Em 1939 arranjou emprego como modelo  um uma loja, e depois de ser assediada por seu patrão, conseguiu fugir para Paris.
Na capital francesa Noelle conheceu o militar Larry Douglas, americano que estava combatendo na Guerra junto à aviação britânica. Larry era um homem bonitão e carismático, e foi atraído por Noelle - assim como ela foi atraída por ele. A paixão intensa durou dias, até que Larry precisou ir a Londres, deixando a francesa perdida de amor e a promessa de voltar logo - que ele nunca cumpriu.
Na mesma época e do outro lado do Atlântico, Catherine Alexander havia conseguido uma bolsa na universidade. Nascida em Chicago, era filha de um inventor malsucedido, mas a quem admirava bastante. Catherine era uma aluna exemplar, mas apesar de bonita, não tinha sorte nos relacionamentos. Em virtude da guerra, ela sai de Chicago e vai a Washington, onde começa a trabalhar para o Departamento de Estado, junto a Willian (Bill) Fraser. Os dois se apaixonam, mas o coração da moça fica perturbado por um certo Larry Douglas, piloto americano que retornara da Europa. Larry e Catherine se casam, mas o que inicialmente era um conto de fadas foi mudando, porque a vida de civil não era pra Larry. A solução apareceu anos depois, quando este arrumou um emprego de piloto particular com um magnata grego, e o casal se muda para o sul da Grécia.
Mais que uma promessa, Larry deixou um bebê no ventre de Noelle, que sofreu aborto. A loirinha passa por maus bocados mas se recupera, se tornando atriz e colaborando com o movimento da Resistência francesa. Passada a guerra, sua carreira cresce cada vez mais e Noelle se torna uma lenda, atraindo a atenção de todo o mundo, em especial de um homem incomum: o grego Constantin Dimiris, o cara mais rico do planeta, e um dos mais influentes.  Constantin e a atriz se tornam amantes, e ela é apresentada a um mundo em que o dinheiro e o poder parecem ilimitados.
O novo patrão de Larry era ninguém menos que Dimiris. A verdade é que desde a Guerra Noelle seguia todos os passos do piloto através de detetives, e conseguiu fazer com que seu amante o contratasse, planejando se vingar. Inicialmente ela se comporta como uma perua sem noção, maltratando Larry de todos os modos - isso porque o cara não deu nenhum sinal de que já a conhecia. O fato de Larry não lembrar de nada que havia ocorrido em Paris, anos antes, só aumentou o desejo de vingança de Noelle. Mas em certo momento ele lembra de tudo, a atração mútua é despertada, mudando totalmente os planos de Noelle. O problema é que os dois ignoram Constantin, seu poder e seu ódio, envolvendo-se numa trama perigosissima.
Depois de ler uns doze livros de Sidney Sheldon, eu já era fã de carteirinha, o que só aumentou depois que li O outro lado da meia-noite (1974). O livro é considerado o melhor escrito pelo cara, além de ser um de seus maiores sucessos de vendas. A história é envolvente como de costume, mas é surpreendente como nenhuma outra do escritor. As personagens principais são algumas das mais conhecidas e queridas de toda a obra de Sidney Sheldon: a sensual e vingativa Noelle, o aventureiro Larry, o temível Constantin e a inocente Catherine - essa última inocente mesmo, que se vê num triângulo amoroso que desperta o ódio do implacável magnata grego. O outro lado da meia-noite fez tanto sucesso que foi feita uma continuação, Lembranças da meia-noite.
ps: Ano passado, quando escrevi sobre os dez livros que mais gostei em 2011, O outro lado da meia-noite ficou de fora porque o li bem no fim do ano. Mas certamente ele estaria entre meus cinco preferidos.

domingo, 3 de junho de 2012

Drácula de Bram Stoker - vampiros e Coppola


Tudo começa quando um jovem corretor de imóveis (ou algo do tipo) chamado Johnattan de Londres viaja até o final da Transilvânia, na região dos cárpatos europeus para assinar um contrato de venda de imóveis (digamos assim) localizados em diversos pontos de Londres para um velho conde que mora num castelo abandonado e longe de tudo. O nome desse conde: Conde Dracule. Já fica claro, então, quem esse velho estranho realmente é: o famoso Conde Drácula. 
Breve histórico sobre Drácula: ele, inicialmente, foi um soldado corajoso e carniceiro que lutava a favor da igreja católica, durante a idade média, contra os turcos que haviam avançando contra o império do catolicismo. Durante essa batalha, ele teve que deixar de lado sua amada, a princesa Elisabeta, que se suicidou ao receber uma falsa carta dizendo que seu amado havia morrido em batalha. A partir daí, tornou-se ainda mais violento, conturbado, perigoso e rompeu de vez não só com a igreja a quem defendia como também com o Deus em que acreditava, tornando-se, assim, uma criatura das trevas fadada a vagar pela eternidade sem descanso (também conhecido como vampiro).
Voltando ao século XIX, o conde Drácula está tão interessado em Johnattan e na Inglaterra porque é lá que vive a jovem e inocente Mina. A questão é que Mina não é uma pessoa qualquer, ela é a reencarnação de Elisabeta, e tudo que Drácula mais quer é tê-la para si de novo para que juntos passem toda a eternidade, já que em vida não puderam ficar juntos. Isso vai dar certo? 
Drácula de Bram Stoker (Bram Stoker's Dracula, 1992) é uma história de vampiros como há tempos eu não via. Para ser mais exato, desde que vi Entrevista com o vampiro que não via nada interessante sobre o gênero. Aqui, tem tudo que originalmente um conto vampiresco deve ter: violência, sangue, sedução, fanatismo, medo, devoção e por aí vai. Tudo (ou quase tudo) que Coppola faz é de qualidade, e aqui não é diferente. Pode ser um filme à parte em sua filmografia, mas também tem suas qualidades. Conta também com um elenco cheio de atores conhecidos. Destaque para o bom e velho Gary Oldman interpreta o Conde Drácula da melhor forma possível. É sério, é de longe a melhor personagem do filme e ele é realmente assustador, como a personagem deve ser. Muito bom. A então jovem e no auge de sua carreira Winoma Ryder interpreta Mina/Elisabeta também muito bem. A carinha meiga da atriz ajuda na construção de personagens desse tipo, mas também não deixa a desejar nas cenas mais intensas de suas personagens. Falando em Winoma, ele teve uma participação importante no filme, pois o roteiro de Drácula foi apresentado a Coppola através da atriz, logo após ela ter recusado um papel em O poderoso chefão, parte III por motivos de saúde. Outros rostos bem conhecidos no filme são o de Keanu Reeves, como o coitado do Johnattan, e do bom e velho Anthony Hopkins, como ninguém mais ninguém menos que Van Helsing. 
Então, se você estiver interessado em ver um bom filme de vampiros – não essas porcarias água com açúcar que tem hoje em dia (não preciso citar nomes) – Drácula de Bram Stoker é a minha recomendação.

por Lucas Moura