domingo, 5 de janeiro de 2014

Diane Keaton

Completando hoje 68 anos de idade, mas com um carisma que não deixa a desejar em nada comparado a muitas atrizes da casa dos 30, Diane Keaton é mesmo uma das maiores atrizes do cinema americano. As razões, inúmeras. Talentosa, engraçada, divertida, competente, espontânea, bonita. São vários os adjetivos que poderíamos atribuir a sua pessoa, mas o que mais importa é mesmo sua carreira. Ao longo de mais de 40 anos, a atriz mostrou toda sua diversidade atuando em filmes dos mais diferentes gêneros, sobre a direção dos mais diferentes diretores e incorporando as mais diferentes personalidades.
Seu primeiro papel de destaque foi como Kay Corleone, em O poderoso chefão (1972). Os anos 70 foram marcados por um grande avanço na carreira da atriz, e também pela sua maior parceria nas telas, uma parceria que lhe garantiria sua colocação no topo de Hollywood, de onde nunca mais saiu. Essa parceria, como a maioria sabe, foi com o diretor Woody Allen, com quem Diane viveu um relacionamento amoroso (numa fase anterior ao relacionamento profissional). Com Allen, a atriz foi para o futuro com O dorminhoco (1973), para o passado com A última noite de Boris Grushenko (1975) e principalmente para o presente com o icônico Annie Hall (1977). Apesar de ser difícil fazer isso, se fosse para escolher um filme que definisse a carreira de Diane Keaton, este seria Annie Hall. Seu papel como a personagem título lhe garantiu um reconhecimento até então inimaginável. A atriz saiu da sua esfera profissional e invadiu de vez a cultura americana. As pessoas queriam agir como ela, vestir-se como ela, falar como ela. Enfim, nessa fase Keaton experimentou-se como um fenômeno cultural. Não é para menos. Sua presença em Annie Hall é inesquecível. Poucas vezes em tela se vê uma atuação tão confortável, tão descontraída, tão pessoal e ao mesmo tempo tão divertida e competente quanto esta. Vemos Annie não como uma pessoa distante, mas quase como uma amiga porque Keaton a faz parecer uma das pessoas mais legais e amigáveis do mundo. A personagem, aliás, é a própria atriz. O filme foi feito por Woody Allen em homenagem a ela e até o próprio nome da personagem remete a ela. O sobrenome verdadeiro da atriz é Hall e entre pessoas íntimas ela é chamada de Annie. Desta forma, Diane Keaton e Annie Hall são mais ou menos a mesma pessoa, o que torna muito fácil entender o quão empática é a personagem. Os trejeitos de Annie, seu visual, seu jeito de falar, suas atitudes. Tudo compõe um verdadeiro marco do cinema mundial, um filme que mudou a forma de se fazer comédia romântica. Pelo papel, Diane Keaton recebeu seu Oscar de melhor atriz (sua primeira indicação, que seria sucedida por mais três – Reds, As filhas de Marvin e Alguém tem que ceder).
Ainda nos anos 70, a atriz mostrou diversidade atuando em dramas pesados como Interiores (1978, primeira experiência de Woody Allen pelo gênero) e À procura de Mr. Goodbar (1977) e na comédia clássica de Woody Allen, Manhattan (1979). Nos anos 80, teve um longo relacionamento amoroso com o ator-galã Warren Beaty que também rendeu uma parceria profissional valiosa através do também clássico Reds de 1981.
Nos anos 90, Diane voltou a atuar em filmes marcantes e de grande popularidade, sobretudo comédias. Seus dois maiores trabalhos na época foram Um misterioso assassinato em Manhattan (1993) e As filhas de Marvin (1996). O primeiro, uma pequena maravilha. Um filme menor e não muito conhecido, mas que traz o retorno da parceria entre Keaton e Allen. Apesar de passados 16 anos desde Annie Hall, a sintonia entre os dois permanece perfeita e assistir o filme é como acompanhar um casamento entre Alvy e Annie o que torna tudo ainda mais divertido. Em As filhas de Marvin, a atriz consegue roubar os holofotes de Meryl Streep numa atuação muito sentimental que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar.
Já mais velha, nos anos 2000, Diane Keaton foi responsável por uma das comédias românticas mais interessantes da década: Alguém tem que ceder (2003). Divertidíssimo, Alguém tem que ceder se diferencia dos demais filmes de seu gênero por transportar confusões amorosas tão relacionadas à juventude a duas pessoas de meia idade, totalmente opostas e ao mesmo tempo atraídas um pelo outro. No filme, Diane apresenta uma personagem genial que tanto pode aparecer séria ou triste quanto nos fazer chorar de rir. Além disso, é uma parceria com o ator Jack Nicholson, que também dispensa maiores apresentações.
Sucintamente, isto foi um pouco da carreira de Diane Keaton. Décadas de talento, personagens marcantes, histórias pra rir e pra chorar. Uma peça fundamental no cinema americano que não deve – e não vai – ser esquecida.

Lucas Moura

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