sexta-feira, 13 de março de 2020

Filmes pro final de semana - 13/03

1. Jojo Rabbit (2019)
Um dos destaques do Oscar deste ano, Jojo Rabbit é uma deliciosa comédia nada convencional centrada no garoto Johannes, conhecido como Jojo (Roman Griffin), um alemão entusiasta do nazismo que tem como amigo imaginário o próprio führer (Taika Waititi). O ponto de partida do filme é a entrada de Jojo na Juventude Hitlerista, comandada por um capitão doido de pedra que fora tirado da linha de frente por perder um olho após ser ferido. Logo no primeiro dia Jojo ganha o apelido de Jojo Rabbit por não conseguir estrangular um coelho. Depois de ser envergonhado pelos colegas, ele tenta demonstrar bravura explodindo uma granada, mas acaba ferido e ganha algumas cicatrizes no rosto e uma lesão na perna que o deixa mancando. Depois da recuperação, obrigado a passar mais tempo em casa, Jojo descobre que sua mãe (Scarlett Johansson) escondia uma menina judia (Thomasin McKenzie) no sótão, e sem a mãe saber, inicia uma estranha amizade com ela. O ódio que foi ensinado a ter e os mitos absurdos sobre judeus (chifres escondidos, beber sangue, devorar bebês" vão dando lugar a um carinho fraterno. Filme sensacional, uma sátira que oscila entre comédia caótica e drama. 
Nota: 10
2. O Lobo atrás da porta (2013)
 O desaparecimento de uma menina na escola é o pontapé inicial para uma trama que quanto mais avança, mais fica sombria. Na sala de um desbocado delegado (Juliano Cazarré), uma mãe desesperada (Fabiula Nascimento) chora até a chegada de seu marido Bernardo (Milhem Cortaz), que ao ouvir o depoimento da professora de sua filha dá as primeiras pistas ao suspeitar do envolvimento de sua ex-amante, Rosa (Leandra Leal), no sumiço da filha. Através de depoimentos e flashblacks é montado o quebra cabeça do caso que Bernardo  e Rosa mantiveram, e a personalidade forte e misteriosa dela, que se manifesta através de olhar decidido e fala mansa, mas sabendo bem seduzir e dominar. Tenso e um pouco aflitivo graças ao trabalho de direção, o filme é abrilhantado pelo ótimo trabalho de seu elenco, em especial de Leandra Leal, vencedora do Prêmio de Melhor Atriz no Festival do Rio.
Nota: 9,0/ 10
3. Ray (2004)
Estrelado pelo brilhante Jamie Foxx, o filme mostra boa parte da vida do super astro Ray Charles, desde a infância pobre até o estrelato absoluto. Nascido na Geórgia e criado no interior da Flórida em meio à pobreza e racismo, Ray ficou cego aos sete anos. Sua mãe Aretha o ensinou a ser forte e nunca ser um pobre coitado. A voz e o talento no piano o levaram longe - inicialmente tocando em bares, depois saindo em turnês simples, até ser descoberto por uma gravadora. Em meio à ascensão, memórias perturbadoras de um trauma que choca ao ser revelado - trauma que leva ao caminho do vício em heroína, que marcou a vida do artista. Um filme muito bem construído, no ritmo de um gênio que revolucionou a música, e carregado pelo talento imenso de Jamie Foxx, cuja atuação memorável foi vencedora do Oscar.
Nota: 9,0/ 10
4. Despedida em Las Vegas (Leaving Las Vegas, 1995)
Esse é um filme imperdível - afinal, foi-se o tempo em que Nicolas Cage fazia ótimos trabalhos. Vivendo o alcoólatra Ben Sanderson, Cage mostra a que ponto um homem pode chegar por causa do alcoolismo: viver na solidão, perder o emprego, e quando a esperança de dias melhores parece acabar, resolve ir a Las Vegas para beber até morrer. Simples, trágico e chocante. Em Las Vegas, Ben conhece a prostituta Sera (Elizabeth Shue), com quem inicia um estranho relacionamento baseado num acordo: ela não reclamaria da bebida e ele não reclamaria da profissão dela. O problema é que mesmo que Ben tente sair de seu deplorável estado, ele já parece irreversível.
Nota: 9,5/ 10
5. O Grande Ditador (The Great Dictator, 1940)
Um barbeiro judeu (Charles Chaplin) ferido na I Guerra passa quase vinte anos numa clínica de repouso após perder a memória. Ao sair ele encontra seu país, Tomânia, dominado pelo ditador Adenoid Hynkel (também Chaplin), que havia instituído a perseguição aos judeus como uma das principais políticas de Estado. O antigo bairro do barbeiro se tornou um gueto judeu, onde membros do exército e da SS vivem agredindo os moradores. Do outro lado da estória está Hynkel, ditador perverso e ao mesmo tempo bastante caricato - sua grande vaidade o torna ridículo, além do fato de ser muito desastrado. Associando cenas do mais puro humor pastelão à delicada questão do holocausto, Charles Chaplin cria uma de suas melhores obras-primas.
Nota: 10

Luís F. Passos

quinta-feira, 5 de março de 2020

Livros para Março

1. Essa gente (Chico Buarque, 2019)
O mais novo livro de Chico Buarque talvez seja o melhor dele - pelo menos é o melhor entre os que eu li. Escrito intercalando a forma de diário com a forma epistolar, Essa gente é centrado em Manuel Duarte, escritor decadente que em seus dias áureos foi um dos mais vendidos autores do Brasil. Falido, em crise constante com suas duas ex-mulheres e pai de um adolescente com quem não consegue manter uma conversa trivial, Duarte é mais um fracassado da obra literária de Chico. Através das andanças de Duarte por bairros nobres, praias e favelas da zona sul carioca, vemos a sociedade sangrar por feridas históricas muitas vezes defendidas orgulhosamente por pessoas ditas diferenciadas - claras referências ao atual contexto social e político de nosso país. Atual, mas vigente há séculos. O romance não poupa aspereza e tem seu toque de enigma. É sensacional. É cru, é intenso, é pulsante, mesmo sendo apresentado com o distanciamento emocional com que Duarte vê e trata da decadência de valores humanos. É Chico Buarque em sua melhor forma.
Nota: 10
2. Memorial de Aires (Machado de Assis, 1908)
Depois de inaugurar o Realismo no Brasil e lançar quatro livros imortais nessas características, Machado de Assis muda o estilo ao escrever seu último romance, o emocionante Memorial de Aires, em que fica visível o caráter pessoal. O livro mostra um casal de idosos, Aguiar e Carmo, que apesar de muito felizes, não têm filhos. Mas Tristão, afilhado deles, e Fidélia, uma jovem viúva, são tratados pelo casal Aguiar como se fossem filhos deles.
A história é narrada pelo conselheiro José Aires, diplomata aposentado, amigo dos Aguiar e que acompanha o surgimento do amor entre Tristão e Fidélia. No final do livro, a tristeza e solidão sentida pelo casal Aguiar é reflexo do sofrimento do autor, que anos antes havia perdido sua esposa Carolina, o grande amor de sua vida.
Nota: 10
3. O corcunda de Notre Dame (Victor Hugo, 1831)
Um dos melhores e mais conhecidos romances do grande escritor francês se passa no fim da idade média. Numa época em que o poder da Igreja Católica era absoluto, soldados sonhavam com glória e a maior parte da população lutava contra a fome e a miséria, acompanhamos a estória do pobre Quasímodo, o tocador dos sinos da catedral de Notre Dame. Corcunda, caolho, deformado, surdo e coxo, Quasímodo fora abandonado e frente à igreja ainda bebê, e criado pelo rígido padre Claude Frollo, arquidiácono de Notre Dame. Do alto das torres da catedral, Quasímodo observa apaixonadamente a bela e jovem cigana Esmeralda, que também desperta a paixão do arquidiácono Frollo - no entanto, Esmeralda é apaixonada pelo capitão da guarda Phoebus Châteaupers, que não corresponde seu amor, mas apenas tem por ela desejo sexual. Victor Hugo nos apresenta com maestria uma estória de amor, ódio, preconceito e injustiças.
Nota: 10

Luís F. Passos

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Filmes pro final de semana - 28/02

1. O Irlandês (The Irishman, 2019)
O filme que talvez seja o último da brilhante carreira de Martin Scorsese é uma obra prima. Não há outra definição. As mais de 3 horas de duração de O Irlandês são puro deleite para os fãs de Scorsese e para qualquer apreciador do bom cinema. 24 anos depois de Cassino, Scorsese retoma a parceria com o amigo de longa data Robert De Niro, que dá vida a Frank Sheeran, caminhoneiro e veterano de guerra que entra na máfia aos serviços da poderosa família de Russel Bufalino (Joe Pesci), e a partir de então se torna assassino profissional. Frank ganha a alcunha de "o irlandês" e uma bela reputação por sua eficácia e discrição. Algum tempo depois ele entra no mundo dos sindicatos e se aproxima do poderoso Jimmy Hoffa (Al Pacino), o todo poderoso do sindicato de transportes. Disputas por poder e a grande pressão do FBI e do governo sobre o sindicato fazem a figura de Hoffa ser cada vez mais questionada, e cabe a Frank decidir até onde vai sua lealdade ao chefe - o que é decisivo nos momentos mais intensos do filme. 
Nota: 10 
2. O Barato de Iacanga (2019)
Quem imaginaria que uma fazenda no interior paulista, numa região bastante conservadora, ainda mais em pleno regime militar, seria o palco pra hippies andarem nus livremente? O Barato de Iacanga traz a história pouco conhecida por trás do lendário Festival de Águas Claras (que infelizmente não é conhecido como merece), realizado em quatro edições entre 1975 e 1984. Conhecido como Woodstock do Brasil, o Festival evoluiu de um encontro de bandas de rock progressivo, uma coisa mais underground, para uma reunião de artistas consagrados e extremamente populares, como Raul Seixas, Luiz Gonzaga, Gilberto Gil, Alceu Valença e João Gilberto - momento mostrado no filme como o apogeu do festival, quando João Gilberto cantou Wave junto a uma multidão de 100 mil pessoas na terceira edição, em 1983. Conduzido de uma maneira bastante leve, mesmo ao tratar da repressão da época e de todo o esforço do idealizador Leivinha e sua família para contornar a censura, o filme é uma mistura de cultura, memória e resistência. Dá uma saudade do que a gente não viveu.
Nota: 9,5/10
3. Democracia em vertigem (2019)
Nunca antes na história desse país uma indicação ao Oscar gerou tanta polêmica. O documentário que retrata a ascensão e queda do Partido dos Trabalhadores, com a consequente guinada à direita e extrema direita que o Brasil deu foi indicado ao Oscar e gerou opiniões diametralmente opostas, que vão do amor ao extremo ódio. Dirigido por Petra Lopes, que é filha de militantes de esquerda e neta de empreiteiros, o filme não é uma defesa de Lula ou exaltação aos anos em que o PT presidiu o País. Petra começa pelo fim do mandato de Lula, e a partir das manifestações de junho de 2013 mostra a queda da popularidade de Dilma e de toda a esquerda, passando pelas turbulentas eleições de 2014 e pela chegada de Eduardo Cunha à presidência da Câmara dos Deputados - fato decisivo no conturbado segundo mandato de Dilma. Vemos o rompimento de Cunha com o Planalto, a abertura do processo de Impeachment, a deplorável cena da votação na Câmara em abril de 2016, o julgamento de Dilma no Senado meses depois com a deposição da presidenta e consequente posse de Michel Temer, a podridão por trás daqueles que articularam e executaram o Golpe (os escândalos envolvendo Temer e Aécio com a JBS). Fatos tão conhecidos e que mostram todo o caminho percorrido até chegarmos no delicado momento em que estamos, sob a tutela de um governo iminentemente autoritário que a cada dia ameaça as instituições democráticas.
Nota: 9,5/10
4. Aquarius (2016)
Do mesmo diretor de um dos filmes mais falados no ano passado em terras tupiniquins (claro que tô falando de Bacurau. Aliás, você viu Bacurau?), Aquarius merece ser incessantemente comentado e aplaudido mais ainda. O longa traz Clara (Sonia Braga, rainha da p* toda), uma jornalista aposentada que mora em um velho prédio na praia de Boa Viagem, no Recife, resistindo à pressão de vender seu apartamento para que seja construído um edifício de luxo no lugar. Todos os moradores já haviam vendido suas casas, exceto Clara. Ao longo do filme ela demonstra uma força incrível para defender o lugar em que passou boa parte de sua vida e criou os filhos, lutando conta a construtora, os vizinhos - e a empresa nada mais é do que a representação da opressão que parte dos mais ricos, tão forte em nossa sociedade ("ou você é Cavalcanti ou é Cavalgado"). Através de um grande elenco liderado por Sonia Braga, um filme excelente sobre a mulher, o passado e o Brasil.
Nota: 10
5. Vinícius de Moraes (2005)
Mais um documentário, e o mais delicioso filme da lista de hoje. Não podia ser diferente ao falar de um dos mais populares poetas do Brasil: Vinícius de Moraes, o eterno poetinha. Poeta, cantor, músico, compositor, diplomata e amante inveterado, Vinícius é, sem dúvidas, uma das figuras mais importantes da cultura brasileira do século XX, com grande importância para a cultura mundial. Afinal, estamos falando de um dos pioneiros da Bossa nova e compositor da Garota de Ipanema. O filme é guiado pelas interpretações magistrais de Camila Morgado e Ricardo Blat, declamando poesias e lendo outros textos de Vinícius, e recheados de entrevistas de pessoas que conviveram com ele: uma irmã, filhas, e artistas como Chico Buarque, Toquinho, Edu Lobo, Carlos Lyra, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil e outros. Também participam artistas que interpretam músicas de Vinícius, a exemplo de Zeca Pagodinho, Mart'nália e Adrina Calcanhotto. Acompanhamos a vida do poeta, seu trabalho artístico e no Itamaraty, os amores e seus nove casamentos, as lembranças saudosas dos amigos, a popularização de Vinícius, inclusive s turnês internacionais de sucesso, e o declínio de sua saúde, que levou à sua partida aos 66 anos. Destaco os vários testemunhos bem humorados de Chico Buarque e o emocionante depoimento de Edu Lobo sobre o gradativo adoecimento do parceiro Vinícius. É um documentário imperdível, envolvente, incrivelmente prazeroso de se ver.
Nota: 10

Luís F. Passos

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Cinco livros em 2019

Bem, amigos do Sagaranando, este corpo celeste azul que chamamos de lar está completando mais uma volta ao redor do astro rei, e é hora de relembrar alguns pontos deste menino maroto chamado 2019. Um ano em que apanhamos na cultura, na educação, no meio ambiente, nos movimentos sociais... e ainda tem mais três anos, taokey? O Brasil mergulhando cada vez mais nas águas turbulentas do autoritarismo e da intolerância, se tornando mais desigual e gradativamente mais deslumbrado perante o absurdo que se tornou nosso cotidiano. Mas também foi ano de alegrias, de conquistas pessoais, mas isto é assunto para mais tarde, talvez. Hoje vamos falar de livros! Consegui ler uma quantidade boa, a maior desde 2014, e quase todos eles de ótima qualidade. Antes de falar dos cinco melhores, quero dizer que Vá, coloque um vigia de Harper Lee, a continuação do maravilhoso O Sol é para todos, foi uma decepção. Mas estas serão cenas de próximos capítulos.  Desejo a todos um 2020 de paz, saúde, conquistas, ótimos livros e filmes maravilhosos. Tentarei (Ten-ta-rei!) retomar, mesmo que em pequenas doses, as atividades do blog no próximo ano.
Vamos aos cinco livros que mais me cativaram em 2019.
5. Me chame pelo seu nome, André Aciman
Livro que inspirou um dos mais destacados filmes de 2017, Me chame pelo seu nome nos leva à Riviera Italiana dos anos 80, onde um professor universitário abre as portas de sua casa todos os anos no verão a algum jovem acadêmico, oferecendo orientação em troca de ajuda com seu trabalho científico. O escolhido da vez é o americano Oliver, uma figura carismática, sedutora e um tanto quanto enigmática. Oliver imediatamente conquista a todos, mas é com Elio, filho do professor, que ele desenvolve uma relação especial - e aí temos a temática do amor, da insegurança, da descoberta da sexualidade (por parte de Elio). Uma estória tocante, bonita, despretensiosa. Do tipo de livro que a gente lembra com carinho.
Nota: 9.0/ 10

4. Este lado do paraíso, Francis Scott Fitzgerald
Esses tolos sonhadores... o primeiro romance de Scott Fitzgerald nos leva aos Estados Unidos do fim da década de 1910. Amory Blaine, o protagonista, é filho de uma família de quem recebeu bastante conforto, mas pouco afeto - apesar de sua mãe Beatrice o adorar. Tendo um pai distante e uma mãe mergulhada em melancolia e ilusões, quando adolescente Amory decide ir para um colégio interno de elite. De lá, vai para a Universidade de Princeton, onde desenvolve ambições literárias, se envolve em diversas e sucessivas paqueras, até conhecer o amor e a desilusão. Em certo ponto Amory se dá conta do castelo de cartas que era sua vida, bem como a sociedade em que vivia, superficial e mantida por aparências. Este livro, cuja primeira edição esgotou em três dias, definiu uma época e uma geração que tanto se identificou com ele. O mundo então sabia: nascia um gênio literário. Nota: 10

3. Ter e não ter, Ernest Hemingway
Mais um livro de Hemingway e mais um motivo pra ele ser um de meus autores preferidos. O protagonista é um típico personagem que o escritor americano adorava retratar: um homem durão, devotado à família e com a vida intrinsicamente ligada ao mar. Harry Morgan, vivendo entre Havana e a Flórida, convive diariamente com pescadores, bêbados, arruaceiros, prostitutas, mas também com comandantes de navios de luxo e milionários alienados que queimam dinheiro no litoral - uma fauna humana tão recorrente no trabalho de Hemingway, e que sabemos que guarda diversas semelhanças com pessoas que conviveram bastante com ele. O livro traz uma ação forte e faz menção a questões políticas, o que fica perfeito com o diálogo contundente que é marca registrada de Ernest Hemingway, combinado com uma prosa direta, enxuta, sem muitos rodeios. Legítimo e brutal como a propria vida do escritor.
Nota: 10

2. Fahrenheit 451, Ray Bradbury
Uma das distopias mais conhecidas e mais importantes, a obra-prima de Ray Bradbury apresenta um mundo horrível em que livros são inimigos e incinerados pelos bombeiros, as pessoas se comportam como zumbis diante das televisões (que são as coisas mais importantes dentro de uma casa) e podem se distrair da apatia da vida cotidiana dirigindo a 200 km/h. Neste cenário futurístico desolador vive o bombeiro Guy Montag, desolado pelo tédio de sua vida e pela convivência com sua mulher, que vive inerte frente a uma televisão. A partir do contato com Clarisse, uma jovem vizinha, Montag passa a refletir e se indignar com a doentia ordem vigente - claro que isso trará graves consequências. Um livro duro, sufocante, essencial em tempos sombrios como os que vivemos.
Nota: 10
1. Travessuras da menina má, Mario Vargas Llosa
Que livro! Senhoras e senhores, que romance. Algo que só um escritor do quilate de Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura de 2010, pode conceber. Acompanhamos aqui a nada convencional estória de amor entre Ricardo e Lily - ele, peruano que vai morar em Paris ainda jovem e trabalha como intérprete e tradutor; ela, uma aventureira que surge a cada década em uma cidade diferente com uma identidade diferente e vivendo uma vida completamente diferente da anterior. Ricardo conhecera Lily ainda na infância no tradicional bairro limenho de Miraflores, e a reencontrou novamente na revolucionária Paris dos anos 60, na Londres libertária dos anos 70, na cosmopolita Tóquio, e na Madri pós ditadura franquista nos anos 80. Este estranho amor cresce e se transforma ao longo dos anos,  cada vez que a menina má aparece e some na vida do bom menino Ricardo; ela envolvida em cenários de poder e riqueza, enquanto ele só tentava viver sua vida pacata. O enredo deste intrépido casal tem como plano de fundo as transformações sociais da Europa e a turbulenta política da América Latina (incluindo Revolução Cubana, golpes de estado na América do Sul e grupos de guerrilha. Numa dança de encontros e desencontros, a narração magistral de um dos maiores escritores do século XX.
Nota: 10

Luís F. Passos

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Filmes pro final de semana - 20/12

1. Ensaio sobre a cegueira (Blindness, 2008)
Um homem para no sinal de trânsito. O sinal abre, mas ele não sai do lugar. Os outros motoristas começam a buzinar, alguns pedestres vão até ele para saber o que há de errado. O homem afirma que ficara subitamente cego, como se uma luz branca inundasse seus olhos. Mais tarde ele é avaliado por um médico (Mark Ruffalo), que não vê nenhuma alteração no exame e fica perplexo diante da cegueira. Antes de dormir, o médico também fica cego - assim como todas as pessoas com quem o primeiro homem teve contato. A doença é contagiosa e atinge a todos gradativamente, exceto a mulher do médico (Julianne Moore), que esconde este fato e finge também estar cega. Os cegos então são levados para um hospital desativado para ficarem de quarentena, e lá aos poucos eles vão sendo guiados pelos instintos de sobrevivência e deixam de lado ética, compaixão e dignidade, perdendo o que outrora os caracterizava como humanidade e civilização. Excelente adaptação feita por Fernando Meirelles da obra imortal de José Saramago.
Nota: 10
2. J. Edgar (2011)
Nos anos 20, a chamada polícia federal dos Estados Unidos era quase uma piada. Faltava estrutura, funcionários e principalmente o poder de atuação que é tão famoso nos dias de hoje. Tudo mudou com o brilhante e ambicioso John Edgar Hoover (Leonardo DiCaprio) que entrou na agência como assistente do diretor e não tardou a ocupar o cargo do chefe. No comando do FBI, Hoover criou o conceito de uma polícia moderna, investigativa e com a capacidade de cruzar e gerar dados dos cidadãos como nenhuma outra no mundo. Tamanha dedicação lhe rendeu a segurança no cargo por nada menos que 48 anos, só deixando a diretoria da agência no caixão. Em todo esse tempo os Estados Unidos tiveram oito presidentes e mais de vinte secretários de Estado, todos devidamente investigados por Hoover, que encomendou dossiês sobre a vida de quase todas as figuras públicas do país – apesar dos feitos heroicos, o diretor também tinha um lado obscuro que incluía ir contra Martin Luther King e a luta pelos direitos civis. É essa uma das qualidades do filme: a imparcialidade. A direção de Clint Eastwood expõe as várias facetas de Hoover através da atuação fenomenal de DiCaprio, mostrando além de sua trajetória, a fonte de várias contradições da personalidade complexa e fascinante que foi J. Edgar Hoover.
Obs: na minha opinião, a atuação de DiCaprio foi a melhor desse ano, junto com a de Ryan Gosling em Drive. Nenhum dos dois atores foi indicado ao Oscar.
Nota: 9,5/ 10
3. Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre, 1999)
Este longa de 1999 é centrado em Manuela (Cecilia Roth), enfermeira que perde seu único filho num acidente depois de assistir à peça Uma rua chamada pecado. Ela então vai à Barcelona em busca do pai do garoto para dar a notícia, mas não o encontra; quem ela reencontra é a travesti Agrado (Antonia San Juan), sua amiga de muitos anos atrás, e através de quem conhece a freira Rosa (Penélope Cruz), que descobre estar grávida e soropositiva. Manuela se vê mantendo Rosa sob seus cuidados e responsabilidade ao mesmo tempo em que se aproxima do elenco de Uma rua chamada pecado, cuja protagonista Huma (Marisa Paredes) vive Blanche DuBois dentro e fora dos palcos. Com referências ao cinema clássico, Almodóvar mais uma vez constrói perfis femininos através da ótica de um homem crescido entre mulheres, especialmente a figura materna simbolizada por Manuela. O resultado é um filme maravilhoso, vencedor do Prêmio de direção de Cannes e do Oscar de melhor filme estrangeiro.
Nota: 10
4. Os Bons Companheiros (GoodFellas, 1990)
Violento, brutal, e estranhamente carismático. Um dos melhores filmes de Scorsese aborda a escória da máfia, gângsters nascidos no subúrbio que em nada lembram a elegante e cavalheiresca máfia romantizada em outras obras. Henry (Ray Liotta) desde garoto sabia que queria entrar na máfia e ter todos privilégios que o crime lhe proporcionaria, e ao lado de seus amigos Tommy (Joe Pesci) e Jimmy (Robert De Niro) ganha experiência e uma extensa ficha criminal que inclui agressão, extorsão, assassinato e tráfico de drogas. A amizade dos três beira a fraternidade, as famílias se dão muito bem, mas nem mesmo uma organização criminosa com base tão sólida pode ser resitente a tudo. A ascensão social a partir da máfia, o status que representa a gangue, as relações entre as personagens e a forte violência são mostradas com maestria e com um humor um tanto irônico. (Funny? Funny how, motherfucker?)
Nota: 10
5. O demônio das onze horas (Pierrot le fou, 1965)
Em homenagem a Anna Karina, falecida recentemente, falemos sobre um de seus melhores filmes. A história se desenvolve a partir da fuga de Ferdinand (Belmondo), um professor universitário que deixa pra trás a vida burguesa para cair na estrada com sua amante Marianne (Anna Karina). Se a Nouvelle vague queria quebrar princípios e reinventar o cinema, é só ver Pierrot para saber que eles conseguiram. A linearidade da história, marcada pela narração dos protagonistas, que se revezam  nos contando seus fatos e pensamentos, é quebrada várias vezes. Como bom filme de estrada, o que não falta aqui é filosofia e interrogações, até porque Godard mantém o padrão de diálogos que mais parecem interrogatórios. O casal de fugitivos é feliz? O que eles esperam do futuro? Afinal, Marianne corresponde aos sentimentos de Ferdinand? E mesmo sendo tantas as perguntas, as deixamos de lado porque parece que eles querem apenas seguir em frente, vendo beleza onde ninguém mais vê e estando lado a lado na jornada.
Obs: o título brasileiro não é mais uma viagem dos tradutores; é o nome do livro no qual se baseia o filme.
 Nota: 10

Luís F. Passos

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Filmes pro final de semana - 18/01


1. Minha vida em Marte (2018)
Vamos aplaudir as comédias nacionais. Os ótimos Mônica Martelli e Paulo Gustavo reaparecem como Fernanda e Aníbal quatro anos depois de Os homens são de marte... e é pra lá que eu vou, com a protagonista casada e mãe de uma filha. Desde o início do filme percebemos a grave crise do casamento de Fernanda e Tom (Marcos Palmeira) e suas tentativas de salvar a união. O longa então acompanha o dilema de Fernanda entre persistir com a ansiedade de seguir com alguém e a necessidade de ser feliz consigo mesma. Tudo isso em meio a cenas e diálogos hilários, em sua maioria divididos com a personagem de Paulo Gustavo, seu melhor amigo e eterno companheiro. E é nisso em que foca boa parte do filme: o valor inestimável de uma amizade verdadeira.
Nota: 7,5/ 10
2. 007 contra Spectre (Spectre, 2015)
Apesar de minha antipatia a filmes de ação, sou um grande fã da franquia 007, especialmente dos filmes estrelados por Daniel Craig nos últimos 14 anos. Em Spectre temos James Bond afastado do trabalho após uma operação não oficial que resultou em um tremendo estrago; o espião segue pistas que parecem pontas soltas mas que o levam a uma organização criminosa de imenso poder e alcance, que parece estar ligada a diversos problemas enfrentados anteriormente por ele - tanto da espionagem como pessoalmente. Por trás dessa organização há o maligno Franz Oberhauser (o sempre excelente Christolph Waltz), que tem clara obsessão por destruir Bond. O filme é sensacional. Quase tão bom quanto Skyfall, Spectre traz elementos clássicos da franquia, o formato tradicional e os amados clichês como os apetrechos, carros esportivos e estonteantes Bondgirls - aqui, uma sensacional: a maravilhosa Léa Seydoux.
Nota: 8,5/ 10
3. Carol (2015)
Um filme lindo, triste, sensível e abrilhantado pelo descomunal talento de suas protagonistas. Carol Aird (Cate Blanchett) é uma mulher rica e de personalidade forte que está se divorciando de seu marido Harge (Kyle Chandler), um empresário com quem tinha uma relação fria, em que a maior realização foi a filha Rindy. Às vésperas do Natal, enquanto procurava um brinquedo para sua filha, Carol conhece a jovem Therese Belivet (Rooney Mara), vendedora de uma loja de departamentos; imediatamente uma desperta interesse pela outra, e em pouco tempo se apaixonam. Em meio à Nova York dos anos 50, com toda sua ignorância e preconceito, o casal acaba enfrentando difíceis obstáculos, como Harge, que ameaça proibir que Carol se aproxime da filha. Através de uma direção meticulosa e das perfeitas atuações, o filme é marcado pela gentileza e suavidade, sem extravagâncias, onde um simples olhar pode dizer muito. Absolutamente encantador.
Nota: 9,5/ 10
4.  What Happened, miss Simone? (2015)
Um documentário do Netflix que todo mundo deve assistir. Uma história de vida dramática que todos devem conhecer. A vida de Eunice Waymon, consagrada com o nome artístico de Nina Simone, se confunde com a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos. Nascida nos anos 30 em uma pequena cidade da Carolina do Norte, a pobre menina negra aprendeu a tocar piano na igreja com apenas quatro anos. Aos sete, numa apresentação, chamou a atenção de uma senhora branca, que passou a lhe ensinar os maiores mestres da música clássica. Na mesma ocasião, conheceu o preconceito - seus pais tiveram de se sentar na última fila. Recusada por um conservatório, ela acabou tocando e cantando em bares, onde foi descoberta e a partir de então projetada como uma estrela. O casamento conturbado, a difícil relação com os filhos, a forte presença no movimento negro e a luta contra os próprios demônios são os grandes elementos muito bem abordados pelo filme que ajuda a preservar a memória de quem foi uma artista única e uma mulher mais singular ainda.
Nota: 9,5/ 10
5. Ela (Her, 2013)
Sem dúvidas um dos melhores e mais bonitos filmes dos últimos anos. Theodore (Joaquin Phoenix) é um solitário escritor que acaba se apaixonando por um sistema operacional (OS). O filme é ambientado num futuro próximo, onde a tecnologia é sutilmente mais avançada que no presente, e os sistemas operacionais são grandes facilitadores da vida das pessoas. Samantha (voz de Scarlett Johansson), o OS de Theodore, dotado de voz feminina e personalidade, acaba por envolver seu dono. A ideia do amor entre um homem e um software parece totalmente plausível, apesar de uma certa estranheza com que muitas pessoas encaram a relação. A proposta é fazer pensar na relação de dependência com a tecnologia além de, claro, afirmar que toda forma de amor vale a pena.
Nota: 10

Luís F. Passos

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

Filmes pro final de semana - 21/12

1. Me chame pelo seu nome (Call me by your name, 2017)
Todo ano no verão, Elio (Timothée Chalamet) e seus pais vão para sua casa de campo na Itália, onde seu pai, que é professor universitário, recebe algum aluno de pós graduação para orientar. No verão de 1983 a família recebe o americano Oliver (Armie Hammer), que logo inicia uma ótima relação com todos, e que desperta sentimentos mais intensos em Elio. À medida em que vai compreendendo seus sentimentos por Oliver, Elio se aproxima do americano e eles descobrem um sentimento mútuo. Temos aqui um lindo filme sobre a descoberta da sexualidade e que aborda a temática LGBT de uma forma um pouco diferente do convencional: menos ativista (o que despertou algumas críticas negativas) e que traz a naturalidade com que o tema deve ser tratado - demonstrado também no apoio que Elio recebe da família, especialmente em uma cena lindíssima que consegue com facilidade arrancar algumas lágrimas de quem assiste.
Nota: 10
2. Lady Bird: A hora de voar (Lady Bird, 2017)
Um dos filmes mais adoráveis do ano acompanha a adolescente Christine (Saoirse Ronan), que está concluindo o ensino médio em meio a crises existenciais, atritos familiares esperados para alguém de sua idade e um desejo imenso de sair de sua pequena cidade para cursar a faculdade em um ambiente bem mais cosmopolita. Auto batizada de Lady Bird, Christine é uma típica garota (e típica personagem nessa categoria de filme) que está chegando À maturidade tendo que lidar com uma mãe supercontroladora, uma escola religiosa onde não se sente muito confortável, os desafios do primeiro namoro e as cobranças e expectativas de quem está saindo da escola e pretende ir para a universidade. Tudo isso em um filme com um roteiro leve, despretensioso, que sabe que está abordando um tema que não é novidade e que o faz de uma maneira original, divertida, mas sem a sensação de que está descobrindo a roda. Ponto para Saoirse Ronan, uma grande promessa da nova geração de atrizes, e ponto para a queridíssima Greta Gerwing, que assina a direção e o roteiro deste que é um dos filmes mais cool da década.
Nota: 10
3. A forma da água (The shape of water, 2017)
Não há dúvidas de que o vencedor do Oscar desse ano divide (e muito) as opiniões sobre si. Há quem diga que é só uma mistura de ficção científica com romance, da mesma forma que há quem diga que é uma linda história de amor e superação de desafios em nome do amor. O filme é centrado em Elisa (Sally Hawkins), uma zeladora que trabalha em um complexo tecnológico militar americano na época da Guerra Fria. Elisa é muda, tímida e vive fechada em seu mundo, e tem poucos amigos. Mas quando os militares trazem para o laboratório um ser místico da América do Sul, Elisa descobre uma transformação dentro de si - ela se afeiçoara de uma forma bastante especial pela criatura. Preocupada com os interesses cruéis dos cientistas e comandantes pelo estranho ser, ela decide, junto de um vizinho e de sua colega Zelda (a sempre ótima Octavia Spencer) salvar seu amado e devolvê-lo à natureza. Aqui o diretor Guillermo del Toro explora mais uma vez o território da fantasia para dedicar uma obra aos incompreendidos e desajustados, com uma linguagem surpreendentemente poética.
Nota: 10
4. Três anúncios para um crime (Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, 2017)
Cara, que filme. Filmaço. Que enredo e que atuações. O filme que deu a Frances McDormand seu segundo Oscar de melhor atriz é uma estória carregada de dor, ressentimento e desejo de justiça e vingança. McDormand interpreta Mildred Hayes, uma mãe que há meses convive com o luto após perder sua filha em um crime bárbaro, até então sem esclarecimento. Cansada da falta de respostas por parte da polícia, ela aluga 3 outdoors em uma estrada na saída da cidade para chamar a atenção sobre a lentidão da investigação. Os anúncios fazem com que não se fale em outra coisa na cidade... e atrai para Mildred muita raiva por parte dos moradores, que consideram uma ofensa pessoal contra o delegado, que é um cara muito bem quisto e que fora diagnosticado com um câncer terminal. Mildred não esmorece, demonstrando uma força descomunal para resistir aos ataques contra si, e continuar a lutar por justiça para sua filha. Uma personagem incrível que trouxe uma atuação inesquecível.
Nota: 10
5. Gran Torino (2008)
Saindo da lista do Oscar desse ano, temos aqui um filme que antes de tudo merece ser chamado de filme adulto. Não, não tem nada a ver com pornografia. Tô falando de um filme maduro, consistente, rígido de tão firme que é. Nosso conhecido de longa data Clint Eastwood dirige o filme e dá vida ao protagonista Walter Kowalski, um aposentado veterano da Guerra da Coreia que se torna viúvo e mora sozinho num subúrbio de Detroit. Walter é rabugento racista, extremamente solitário, não mantém boas relações com a família e muito menos com sua vizinhança - o bairro decadente em que mora se tornara refúgio de imigrantes asiáticos. A rotina de Walter se resume a cuidar da casa, beber cerveja na varanda, sair com sua cadela (sua única amiga) e cuidar de sua paixão, um Gran Torino 1972 que ele próprio ajudou a montar quando trabalhava na Ford. Surpreendentemente, Walter começa a se aproximar da família vizinha após atitudes inesperadas de ambas as parte. Passamos a ver uma transformação do protagonista, deixando pra trás sua xenofobia e outros preconceitos, percebendo que aqueles imigrantes que ele antes desprezava tem muito mais em comum com ele do que os próprios filhos.
Nota: 10
[Bônus de Natal] 6. O Natal do Mickey Mouse (Mickey's Christimas Carol), 1983
Baseado na obra imortal de Charles Dickens, o curta da Disney traz Tio Patinhas na figura do rico Ebenezer Scrooge (Tio Patinhas), velho, egoísta e solitário, que acumulou fortuna às custas de trabalhadores mal-remunerados e golpes em viúvas em crianças órfãs. A maldade de Scrooge era tamanha que ele roubou o falecido sócio (Pateta) e usou o dinheiro do enterro, jogando o corpo do defunto no mar. Um dos mais dedicados empregados do velho é o pobre Bob Cratchit (Mickey), que sustenta sua família precariamente com o péssimo salário pago pelo patrão. Na véspera de Natal, Scrooge espanta coletores de donativos, briga com parentes e aborrece funcionários, como sempre, sem imaginar o que lhe aconteceria horas depois. Depois de dormir, Scrooge foi visitado pelos fantasmas do Natal passado (Grilo falante), presente (Willi, o gigante) e futuro (Bafo), que lhe mostraram todas suas maldades e as consequências que elas trariam se o velho não mudasse seu comportamento para com o próximo. Beleza que todo mundo já viu, que a Globo sempre passa antes da Missa do Galo, mas nem isso tira a beleza da história ou do filme.
Nota: 9,5/ 10

Luís F. Passos