domingo, 11 de janeiro de 2015

TOP 10 - Filmes em 2014


Como em 2014 acabei indo pouco ao cinema e vendo basicamente filmes que eu já tinha assistido (obrigado, Clássicos Cinemark!) ou produções não tão boas assim, acabei fazendo este top 10 – meu primeiro post em 2015 e também em muito tempo aqui no blog – trazendo alguns dos filmes que vi, de modo geral, em 2014. Os únicos critérios de inclusão relacionados a esta seleção são que todos são filmes eu julguei como excelente e assisti pela primeira vez em 2014 (se fosse considerar entre filmes que já vi em anos anteriores, a lista com certeza seria bem diferente). Enfim, aqui vai minha singela seleção:

10. Praia do futuro (2014)


Excelente produção nacional com a assinatura do muito talentoso diretor Karim Ainouz trouxe uma grande polêmica desnecessária e vergonhosa ao cinema nacional, o que o tornou, na mesma medida, um dos filmes mais comentados do ano de 2014. Esses comentários, infelizmente, centraram-se mais no seu conteúdo “polêmico” do que por sua qualidade em si. O fato é que é brilhante a história de autodescobrimento de Donato (Wagner Moura), uma figura tão heroica na visão de seu irmão mais jovem, Ayrton (Jesuíta Barbosa. Ator sensacional) que na verdade encontra-se dividido entre as expectativas e pressões externas e seus desejos, anseios e, principalmente, medos que o levam a tomar guinadas inesperadas e extremistas em sua vida é uma produção bastante intimista e muito forte em sua temática, bem como em seu visual memorável. Filme nacional imperdível de 2014, para mostrar a todos que ainda acreditam que cinema nacional é só baixaria que nosso cinema é muito competente sim.
9. Loucamente apaixonados (Like crazy, 2011)

Meu atual protegido. Loucamente apaixonados centra-se no amor intenso de um jovem casal que parece, simplesmente, perfeito um para o outro. A questão aqui é que este não é um filme de romance tradicional, então, não, o amor não é o bastante. Entre Anna e Jacob existem vários impedimentos que só os afastam cada vez mais. Por mais que seja tentador se render aos desejos pessoais, todos sabemos que o mundo, na maioria das vezes, conspira contra nossa felicidade plena. Então, entre o casal temos impedimentos diversos, mas todos muito aplicáveis à vida real. Impedimentos geográficos, laborais, pessoais e, principalmente, burocráticos (poucas coisas são piores que burocracia excessiva) acabam distanciando bastante o casal. Até quando o amor é capaz de suportar ao tempo, à distância, à solidão e às frustrações? Um filme visualmente muito belo com atores bastante entrosados. Um romance intimista, delicado, simples e bastante palpável. Não tem a força dramática de um Blue Valentine, mas ainda se propõe a caracterizar o amor de uma maneira real e moderna, sem deixar de lado a face bucólica e a melancolia. 

8. Darling – a que amou demais (Darling, 1965)
Passei anos tentando encontrar este filme para download e só consegui fazê-lo em 2014 – foi o primeiro filme que vi no ano. A espera com certeza valeu a pena e, apesar do enredo ser algo totalmente diferente do que eu podia imaginar, Darling se mostrou um filme excepcional. Apesar do título absurdamente dramático, um filme de nuances e cinismo que se centra numa das protagonistas mais egocêntricas e aproveitadoras que já vi. Julie Christie dá vida a sensual e esperta Diana Scott, uma mulher capaz de tudo para conseguir o que ela quer. O único problema é: o que ela quer? Insatisfeita crônica, Diana usa todos a sua volta para conseguir suprir seus desejos frívolos. Enfim, um estudo de personalidade perfeito com a elegância que só o cinema inglês possui, Darling ainda é bastante moderno e ousado para sua época – muitas insinuações sexuais sem qualquer descrição e personagens homossexuais também podem ser observados na trama. Vencedor do Oscar de melhor atriz.
7. Martha Marcy May Marlene (2011)
Desconfortável. Instigante. Ousado. Misterioso. Todos esses adjetivos podem ser aplicados a nebulosa trama de Martha Marcy May Marlene. Num momento inspirado e definidor de carreira, a jovem promissora Elizabeth Olsen (já fez umas bobagens de lá pra cá) nos traz um conto forte e cruel através de um relato pouco preciso da vida dentro de um culto secreto e violento em algum fazenda no meio de lugar nenhum. O filme apresenta seu tema através das memórias confusas da destruída Martha (ou Marcy May? Ou Marlene?) após sua fuga da organização. Tão interessante quanto o retrato cortado do cotidiano no grupo é a relação conturbada e muito mal explicada entre Martha e sua irmã (Sarah Paulson). Um filme que não se preocupa hora nenhuma em dar respostas ao espectador, Martha Marcy May Marlene, como já disse anteriormente no post completo dedicado a este, é como a ponta de um iceberg.

6. Equus (1977)
Fantástica adaptação da peça teatral homônima, Equus alia o talento lendário de Richard Burton como protagonista e o talento lendário de Sidney Lumet na direção. O filme conta a história e a relação intricadas entre um jovem com delírios psicóticos que incluem, principalmente, uma alucinada adoração a cavalos, e seu psiquiatra (Burton), confuso e pessoalmente afetado pela maneira com a qual o rapaz se entrega a seu objeto de adoração e a seus desejos mais profundos. Um mergulho meio perturbador numa mente psicótica, Equus é chocante, mas ao mesmo tempo impossível de desviar os olhos. A trama prende o espectador o tempo todo e também nos leva a refletir sobre temas contundentes. Obra indispensável.

5. O lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013)

Scorsese é Scorsese. Na sua última produção, o diretor retoma a parceria genial com Leonardo DiCaprio para fazer sua obra-prima do exagero. E quanto exagero. Contando a vida e obra de Jordan Belfort, uma figura das finanças que fez sua fortuna por modos muito pouco tradicionais, digamos assim, Scorsese abusa de tudo, principalmente de sua genialidade. A estrutura de edição e técnica do filme remete ao estilo do diretor, assim como pontos na trama que lembram os fãs de obras anteriores como Os bons companheiros e Cassino, mas em O lobo de Wall Street Scorsese bombardeia o espectador com palavrões, sexo, drogas, sexo, drogas, palavrões, drogas, sexo, sexo, drogas, palavrões, palavrões, palavrões e, pra finalizar, mais um pouquinho de sexo e drogas. Ufa. O ponto é que todo esse exagero imoral torna a trama divertidíssima, bastante interessante e muito criativa. Um filme mais cômico que o normal para os padrões de Scorsese que não deixa muito a dever a outros grandes títulos do diretor – sinceramente o vejo como o melhor trabalho de Scorsese dos anos 2000 pra cá (talvez não por causa de Os infiltrados). A cereja e ¾ do bolo é a atuação brilhante de Leonardo DiCpario, mais digna que qualquer Oscar. Digna de respeito e admiração. Parabéns Leo e Martin pelo filme mais divertido dos últimos tempos.

4. A caça (Jagten, 2012)
Um martírio para o espectador. O sofrimento do nosso inocente protagonista, acusado de cometer um crime terrível, é uma crueldade que parece que não vai ter fim. O grande ponto em A caça não é o crime não cometido em si, mas é que nós, como espectadores, sabemos desde o primeiro minuto que tudo aquilo não passou de uma sequência de desentendimentos. Então, durante todos os minutos de sofrimento de Lucas (Mads Mikelsen, genial) sabemos o tamanho da injustiça que ele está sofrendo. E não é pouca. Humilhações, agressão física, tortura psicológica e desprezo social são capazes de destruir qualquer pessoa. Uma genuinamente boa e inocente então, ainda pior. Assistir A caça é quase um exercício de autocontrole, pois ver tal atrocidade chega a ser revoltante. Filme de fortíssimas emoções, não o recomendo para pessoas muito sensíveis, pois até as mais duronas se sensibilizam com Lucas. Porém, devo dizer que aqui está um dos melhores filmes dos últimos cinco anos, e, se o cinema como arte deve nos fazer sentir alguma coisa, A caça nos traz sentimentos bastante fortes pra dizer o mínimo.
3. Através de um espelho (Såsom i en spegel, 1961)
Primeiro capítulo da famosa trilogia do silêncio de Bergman, Através de um espelho é provavelmente um dos melhores filmes do diretor. Com temática ampla e inovadora, traz questionamentos genuínos ao espectador relacionados a um ponto central: comunicação. Mais detalhadamente ainda, a falta de comunicação entre as pessoas e com deus, o nome a que gritamos no escuro esperando ouvir alguma resposta, que, aparentemente, jamais vem. Com apenas quatro personagens confinados numa casa isolados do resto do mundo, Bergman vai os emergindo cada vez mais em seus sofrimentos e suas frustrações. O que no primeiro minuto pareceu uma feliz família, na verdade é composta por um escritor egocêntrico e insensível, seus dois filhos – uma esquizofrênica e um adolescente tragado pela loucura da irmã e distância do pai – e o marido de sua filha, derrotado pela incapacidade de controlar a doença da mesma. Uma obra de arte em todos os sentidos, obrigatória para cinéfilos.

2. O sétimo selo (Det sjunde inseglet, 1957)
É estranho, mas demorei um bom tempo para ver o filme mais famoso de Ingmar Bergman. O sétimo selo é um dos trabalhos mais inovadores do cinema, trazendo para o comodismo dos anos 50 um universo totalmente novo de possibilidades a serem exploradas. Uma trama complexa centrada num dos períodos mais negros da humanidade, é com O sétimo selo que Bergman começa a abranger com maior totalidade sua temática preferida: deus. Mais que deus, o silêncio de deus e o questionamento por sua existência ou não. O jogo de xadrez de vida ou morte é uma marca forte na mente cinéfila e uma metáfora perfeita para nossa relação infelizmente íntima com a mesma. A morte, inclusive, é personagem vital para a trama de O sétimo selo, que nos lembra bem da fragilidade de nossa existência e da ausência de respostas sobre o que há além da vida. Melancólico, pesado e sombrio, também traz momentos de leveza e até uma metáfora à algo como uma família sagrada – Bergman sempre entre a fé cristã e a negação de Deus. Indispensável.
1. A onda (Die Welle, 2008)
Eu devo ter gostado muito desta produção alemã para ter colocado-a acima de dois dos maiores filmes de Bergman. Claro que isso não é sem motivo. Sou um grande fã do cinema alemão e acho que, atualmente, é a indústria cinematográfica mais engajada em instigar o espectador dentro do circuito do cinema europeu. Extremamente ousado e audacioso, A onda é um tapa na cara de nossa petulância de nos acharmos muito superiores ao período mais cruel do século XX – o nazismo. Não necessariamente o nazismo, mas o fascismo em si. De um aparentemente simples trabalho de escola sobre vivência numa organização fascista, a organização estudantil, como uma onda, toma proporções desastrosas e perigosas que só podem levar a um caminho de destruição. Vivemos numa época em que acreditamos termos superado os erros do passado e muitos consideram impensável que algo como o nazismo possa acontecer de novo, mas A onda nos prova o quão próxima a humanidade é do extremismo, seja de qual tipo for. Só precisamos de um pequeno estímulo para romper com esse aparente equilíbrio em que vivemos. Desagradável, porém uma lição que merece ser aprendida. Não, não somos superiores. 

Lucas Moura
 

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Filmes pro final de semana - 02/01

1. Os Descendentes (The Descendants, 2011)
É em paradisíacos cenários do Havaí que Alexander Payne conta a divertida e emocionante história do advogado Matt King (George Clooney), que se depara na delicada situação de ter a esposa numa UTI e precisa encarar a tarefa de cuidar sozinho das filhas, uma criança e uma adolescente, que mal conhece. Paralelo a isso, há também a relação (não muito boa) com os sogros e a questão da venda bilionária das terras da família junto aos seus vários primos. A pressão vinda da relação com as filhas, com a família e o próprio legado deixado para Matt o obriga a decidir o que realmente importa, com o peso de saber que suas decisões irão interferir diretamente na vida de muitas pessoas. Além do ótimo roteiro, a atuação de Clooney é outro destaque, deixando de lado o charme que lhe é peculiar para assumir as vezes de um homem cansado que tenta reatar os laços com seus entes queridos.
Nota: 9,0/ 10
2. O Sonho de Cassandra (Cassandra's Dream, 2007)
Os irmãos Ian (Ewan McGregor) e Terry (Colin Farrel) são muito unidos, apesar das diferenças no que cada um quer para sua vida. Enquanto Ian é muito ambicioso e não vê o dia em que terá a chance de sair do restaurante dos pais para um emprego melhor, Terry é mais humilde e até se sente satisfeito com seu trabalho como mecânico automotivo. Seu grande problema é o vício no jogo, que faz dele um eterno endividado. Mesmo humilde, a família deles vive feliz e unida, e conta sempre com a ajuda do irmão da mãe, o milionário médico Howard (Tom Wilkinson). Tudo vai bem, os irmãos conseguem comprar um pequeno barco que chamam de O sonho de Cassandra (em homenagem ao cão de corrida cujo prêmio garantiu o dinheiro que faltava para a compra), Ian começa um relacionamento com uma linda atriz, com a qual planeja se casar... mas as coisas complicam quando o tio Howard pede aos rapazes um enorme e perigoso favor, prometendo dinheiro e baseado na máxima de que "família é família". Tal favor complica a vida dos irmãos e impulsiona mais um dos excelentes filmes de Allen que infelizmente não conseguem grande sucesso. Pena pra quem não conhece.
Nota: 8,5/ 10
3. Tootsie (1982)
Michael Dorsey (Dustin Hoffman) é um ator perfeccionista, muito talentoso, mas que há algum tempo está fora dos holofotes. Desesperado por emprego, Michael se veste de mulher e tenta um papel numa novela. De vestido, peruca e maquiagem ele se transforma em Dorothy Michaels... e consegue o papel! Chega no estúdio, começa a gravar e simplesmente ignora o roteiro e inventa falas dando opinião sobre tudo, transformando a personagem secundária no maior sucesso da novela e seu alter-ego artístico numa mulher símbolo da geração dos anos 80. O desafio de esconder a verdade se torna muito pior por causa do sucesso de Dorothy e pela atração que ele sente por uma colega, Julie (Jessica Lange), a qual sente profunda amizade e admiração por Dorothy. Tootsie marcou época por dar início a uma sucessão de filmes que propunham a troca de lugar com outra pessoa para entender as dificuldades e passar a simpatizar com ela - no caso, com o sexo feminino. Além disso, o filme inova por dar destaque a atuações e elementos secundários e alusões pop, tendo também curtas e rápidas sequências que conduzem muito bem a história até o fim.
Nota: 9,0/ 10
4. The Rocky Horror Picture Show (1975)
Science fiction, double feature... o singular musical que combina uma bizarra ficção científica e terror se tornou cult com o passar das décadas e tem uma imensa legião de fãs apaixonados por todo o mundo. Quando o inocente casal Brad (Barry Botswick) e Janet (Susan Sarandon) encontra um castelo à beira da estrada numa noite chuvosa não podiam imaginar o que encontrariam: seu proprietário, o dr. Frank-N-Furter (Tim Curry), um "doce travesti da transexual Transylvania", seus estranhos criados e também estranhos convidados, prestes a presenciar a criação de um Frankstein moderno e musculoso. Mais que um festival de músicas que grudam, The Rocky Horror Picture Show é uma mistura de sexualidade escancarada, frases irônicas ou de duplo sentido e figurino alucinante, que o que tem de estranho, tem duas vezes mais de qualidade. Let's do the time-warp again!
Nota: 9,5/ 10 
5. Intriga Internacional (North by Northwest, 1959)
Depois de Um corpo que cai, que não foi bem recebido por público e crítica, Alfred Hitchcock lança aquele que veio a ser um de seus maiores sucessos: o intenso Intriga Internacional. Cary Grant, assíduo colaborador de Hitchcock, é o publicitário Roger O. Thornhill, executivo de publicidade confundido com um agente secreto que a partir do infeliz mal entendido precisa fugir de um lado pra outro dos Estados Unidos, muitas vezes atrás da misteriosa loira Eve Kendall (Eve marie Saint), que tem uma estranha relação com aqueles que querem sua cabeça. Um filme cheio de ação, que lembra muito 007 (tanto que Hitchcock se recusou a dirigir o primeiro 007 afirmando que era plágio de sua obra), mas que eu esperava mais. Desculpa, Hitch.
Nota: 8,5/ 10

Luís F. Passos

sábado, 27 de dezembro de 2014

Filmes pro final de semana - 26/12

 2014 foi um ano complicado pra mim em termos de filmes. Acho que dos últimos quatro anos, foi aquele em que vi menos títulos. Cinema? Fui pouco, e boa parte das vezes que eu fui, vi filmes antigos. O próprio blog parou por um tempo. Enfim, pra trazer o blog de volta à ativa, selecionei alguns dos filmes mais recentes que vi em 2014 pra indicar como opções pro último fim de semana do ano:
1. Magia ao Luar (Magic in the Moonlight, 2014)
Vendo os filmes que Woody Allen lançou de 2011 pra cá, a gente vê que ele tá revezando entre um filmaço e um filme bom, mas não tão bom quanto podia ser. Magia ao Luar se enquadra na segunda categoria. Colin Firth interpreta Stanley, que em vestes orientais é o famoso mágico Wei Ling Soo. Stanley é chamado por um amigo de longa data para desmascarar uma bela jovem (Emma Stone) que supostamente tem poderes paranormais e que está desfrutando da generosidade de uma abastada família no sul da França. Stanley é mais um alter ego de Woody: pessimista, ranzinza, cético, hipocondríaco e muito cheio de si. Mas qual não é a surpresa dela ao ver que nem ele, experiente em identificar charlatões, consegue provar que a moça é uma fraude. A relação entre as personagens de Firth e Stone conduzem o filme através dos típicos temas tratados por Woody, e é também uma relação interessante: o mágico vive ofendendo a falsa médium de tudo quanto é jeito, mas ela não se abala - afinal, alguém que passa a vida enganando os outros sabe o valor de palavras verdadeiras.
Nota: 8,0/ 10
2. Hoje eu quero voltar sozinho (2014)
Inspirado no curta-metragem Eu não quero voltar sozinho (2010), do mesmo diretor, o filme é centrado em Leonardo, jovem cego que convive com o bullying e a distância dos colegas de classe, contando com a amizade de apenas uma delas, Giovana. A chegada de um novo aluno, Gabriel, é o ponto de partida pra um processo de mudança, em que Leonardo toma consciência de sua sexualidade e passa a desejar a superação de barreiras que lhe são impostas devido a sua deficiência visual. O resultado é um filme muito bacana e sensível, reconhecido até no Festival de Berlim.
Nota: 8,0/ 10
3. O Lobo de Wal Street (The Woolf of Wall Street, 2013)
Mais uma parceria DiCaprio-Scorsese, dessa vez no frenético ritmo do mercado financeiro de Nova York. Baseado na história real de um agente financeiro que escandalizou os Estados Unidos nos anos 90, o filme acompanha a ascensão meteórica de Jordan Belfort, que começou a trabalhar com negócios que eram mais imorais do que ilegais, e à medida em que via o dinheiro aparecer, entrou de vez na ilegalidade, ao mesmo tempo em que aumentou seu amor por álcool, drogas, aventuras sexuais e outras formas de esbanjar dinheiro. A euforia provocada pelo poder financeiro é passada através de um eufórico Leonardo DiCaprio, em sua melhor forma na pele de Jordan, além de um time excelente de coadjuvantes e do controle hábil da direção de Scorsese, remetendo a ícones de sua carreira como Os Bons Companheiros e Cassino.
Nota: 10
4. Nebraska (2013)
A leve comédia familiar dirigida por Alexander Payne, diretor de Os Descendentes, acompanha a saga do velho e senil Woody Grant (Bruce Dern) em busca do suposto prêmio de 1 milhão de dólares que ganhou, na verdade uma propaganda que chegou pelo correio. Para receber sua fortuna, Woody deve ir até Lincoln, Nebraska, mas como ninguém quer levá-lo, ele decide ir a pé. Seu filho David (Will Forte) é o único que percebe que o pai não vai desistir por nada e resolve levá-lo de carro. No caminho, muita estrada, parentes há muito não vistos e outros de olho no prêmio de Woody. E acima de tudo, a relação entre um pai meio lunático e seu filho que viu a vida sufocar parte de seus sonhos. É a competência de Payne dedicada a um tema que ele provou que domina.
Nota: 9,0/ 10
5. A caça (Jagten, 2012)
Lucas (Mads Mikkelsen) é um professor de jardim de infância que ama seu trabalho, é muito querido por colegas e pais de alunos, e adorado pelas crianças. Ele é muito feliz no seu emprego e na pequena cidade onde vive, apesar do pouco prestígio e retorno financeiro da profissão - fatores que pesaram para o fim de seu casamento, anos atrás. A felicidade da vida de Lucas passa a se esvair quando uma aluna e filha de um de seus melhores amigos, devido a uma série de mal entendidos, o acusa de abuso sexual. Num piscar de olhos, arma-se um circo e o professor de personalidade tão doce é visto como um monstro por toda a cidade, sendo vítima de todo o tipo de agressão por pessoas com as quais cresceu mas que em nenhum momento duvidaram de sua culpa. Um detalhe: o filme não oferece ao espectador nenhuma dúvida da inocência de Lucas, o que aumenta o magnetismo da obra. Um dos melhores filmes que vi em 2014.
Nota: 10

Luís F. Passos

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Filmes pro final de semana - 17/10

1. Clube de Compras Dallas (Dallas Buyers Club, 2013)
Um dos destaques do Oscar desse ano, Clube de Compras Dallas é uma mistura de drama e comédia de humor negro que se passa na metade dos anos 80, quando a AIDS ainda era uma novidade e seu efetivo tratamento um sonho distante. Ron Woodroof (Matthew McConaughey) é um eletricista metido a cowboy e viciado em álcool, cocaína e sexo que vê seu mundo desmoronar ao ser diagnosticado com o vírus HIV. Não conseguindo entrar um programa de testes de uma droga, vai ao México e conhece um médico que combinava diversas vitaminas e proteínas para tratar os soropositivos. De volta aos Estados Unidos, ele começa uma inusitada parceria com o travesti Rayon (Jared Leto) para ajudar os pacientes que não tinham acesso ao tratamento, vendendo drogas ainda não aprovadas pelo FDA e sendo perseguidos pelo governo. A proposta de tratar de um tema pouco corriqueiro é abrilhantada pelas atuações impecáveis de McConaughey e Leto, vencedores do Oscar de melhor ator e coadjuvante, respectivamente.
Nota: 9,0/ 10
2. (500) dias com ela ((500) days of Summer, 2009)
Não, essa não é uma história de amor. A comédia romântica que foge do besteirol americano e conquistou milhões de fãs logo de cara mostra que o relacionamento de Tom (Joseph Gordon-Levitt) e Summer (Zooey Deschanel) não deu certo. Eles se conhecem no emprego, uma empresa de cartões, em que Tom cria cartões (mesmo sendo formado em arquitetura) e Summer, recém chegada na cidade, é secretária. Ele se apaixona logo por ela, mas é meio difícil saber o que se passa na cabeça dela. O filme vai e volta no tempo, viajando pelos 500 dias em que Summer ficou no pensamento de Tom; os bons momentos, as brigas, as muitas vezes em que ele ficou bêbado sofrendo por ela, as situações engraçadíssimas e o que ele levou da relação com a louquinha de olhos verdes. É pra se divertir - ou sofrer - muito.
Nota: 9,5/ 10
3. Maria Antonieta (Marie Antoinette, 2006)
Quando Sofia Coppola lançou Maria Antonieta no Festival de Cannes dividiu opiniões; enquanto uns se levantaram para aplaudir, outros vaiaram o filme. Mas a opinião do público é quase unânime: genial. Deixando de lado o contexto político que antecedeu a Revolução Francesa, o filme foca a vida pessoal da polêmica rainha, desde o acordo firmado por sua família (os Habsburgo, soberanos da Áustria) com a França que arrumou seu casamento com Luís, príncipe herdeiro. Os medos diante do casamento, a distância de seu marido, a demora em engravidar e a vida dentro do ninho de cobras que era a Corte em Versalhes atormentam a jovem princesa, que aos poucos vai criando uma vida em paralelo às obrigações reais: dias inteiros dedicados à escolha de vestidos, chapéus e sapatos, a paixão por doces finos, passeios no campo e pequenas festas regadas a muito vinho e champanhe. Em poucas palavras: é As patricinhas de Beverly Hills do século XVIII. Elogiado pela fotografia que realça os cenários deslumbrantes, pelo figurino vencedor do Oscar e pela trilha sonora composta por rock, Maria Antonieta é mais um grande filme da nova geração dos Coppola.
Nota: 8,5/ 10
4. O iluminado (The shining, 1980)
Se pegarmos a brilhante carreira de Jack Nicholson e a perfeita carreira de Stanley Kubrick veremos que há um ponto de interseção:  O iluminado, filme de terror baseado no livro homônimo de Stephen King. Na trama Nicholson vive Jack Torrance, professor e escritor que passa por um momento difícil e aceita o emprego de zelador no Hotel Overlook, um refúgio nas Montanhas Rochosas do Colorado que passa o inverno fechado devido ao difícil acesso. Jack leva consigo a mulher Wendy (Shelley Duval mais feia que o cão chupando limão) e o pequeno filho Danny (Danny Lloyd), que aparenta ter poderes psíquicos. No gigantesco hotel, os três ficam sozinhos - será mesmo? Kubrick leva por todo o filme a dúvida do que é loucura e do que é sobrenatural sobre os estranhos acontecimentos que pairam a família, especialmente o pai e o filho. A partir de um roteiro simples, o diretor faz um de seus melhores trabalhos através do jogo de cores, da sensação de estar sempre percorrendo labirintos e da tensão constante que deixa o espectador arrepiado com cenas como a famosa do triciclo no corredor ou faz pular da cadeira com coisas simples como a palavra terça-feira sobre o fundo negro. Uma obra-prima.
Nota: 10 
5. Cabaret (1972)
Pra um público que viu o festival de alegria que é Catando na chuva na década de 50 e a fofura bonitinha demais que é Minha linda dama nos anos 60, imagine o choque ao chegar em 72 e ver Cabaret, que sai de cenários elegantes e vai para o subúrbio da Berlim dos anos 30, onde um país arrasado pela Guerra e pela Depressão era campo fértil para a disseminação das ideias totalitaristas e racistas de Hitler. Nesse rebuliço, Brian Roberts (Michael York), jovem americano, chega em Berlim para dar aulas de inglês, e logo conhece Sally Bowles (Liza Minelli), estrela do Kit Kat Club, a casa de shows mais animada da cidade. Sally é uma dançarina que sonha em ser uma grande atriz - típico, não? Mas a história do diretor Bob Fosse consegue ser surpreendentemente original, com seus ótimos números musicais que floreiam amores incompreendidos e ambição; é como diz uma das músicas: "money makes the world go round!". Cabaret também se destaca por dividir os holofotes do Oscar de seu ano com O Poderoso Chefão, faturando os prêmios de direção, atriz, ator coadjuvante (Joey Grey, mestre de cerimônias do Kit Kat e figura essencial no filme), entre outros. 
Nota: 10
Luís F. Passos